A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, que assumiu no lugar de Nicolás Maduro (PSUV, esquerda) depois que ele foi capturado na Venezuela pelos Estados Unidos, usou as redes sociais por vários momentos ao longo dos anos para fazer comentários sobre a política brasileira.
Escolhida por Maduro em 2018 como vice-presidente, ela é uma das figuras-chave na gestão econômica, com responsabilidade sobre setores estratégicos como petróleo e finanças. Nomeada para o cargo em 2021, também exerceu influência significativa nas relações externas e no enfrentamento às sanções internacionais contra Caracas.
Leia abaixo alguns dos comentários da presidente interina:
Em 8 de novembro de 2019, o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deixou a Superintendência da PF (Polícia Federal) em Curitiba (PR) após 580 dias preso, Delcy comemorou. A então vice-presidente da Venezuela compartilhou um vídeo de Lula e Janja e escreveu:
“Nossa América Latina vive tempos de força e avanços! A Venezuela celebra a liberdade do presidente Lula, vítima de uma injusta perseguição por elementos do extremismo brasileiro! Os povos do Sul crescem nas dificuldades! Nosso único caminho é a liberdade! Viva Lula”.
Assista ao vídeo de Lula compartilhado por Delcy (3min8s):
Lula foi solto após uma mudança de entendimento do STF (Supremo Tribunal Federal) que proibiu a prisão imediata após a condenação em 2ª Instância. Lula havia sido condenado a 12 anos e 1 mês de prisão pelo TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.
A prisão de Lula decorreu de investigações da Lava Jato nos casos do tríplex no Guarujá e do sítio em Atibaia. Posteriormente, as autoridades envolvidas na operação tiveram mensagens de seus celulares vazadas por um hackeamento. Em razão do conteúdo das mensagens, o ex-juiz Sérgio Moro, atualmente senador, foi considerado parcial pelo STF, e o ex-promotor Deltan Dallagnol, deputado cassado, enfrentou processos disciplinares.
Delcy também já criticou Jair Bolsonaro (PL). Em dezembro de 2019, ela compartilhou um comunicado do governo venezuelano que informava que o Brasil havia concedido status de refugiado a 5 militares desertores que se rebelaram, assaltaram um batalhão e fugiram para Roraima, na fronteira com a Venezuela.
“A decisão do governo de Jair Bolsonaro é uma prova contundente de sua cumplicidade em desestabilizar a tranquilidade da República Bolivariana da Venezuela e atentar contra seu governo legítimo! Além disso, tornou-se um santuário de terroristas!”, afirmou Delcy.
À época, o Itamaraty e o Ministério da Defesa informaram em nota conjunta que os militares tinham dado início aos procedimentos para solicitar refúgio no Brasil, assim como o fizeram “outros militares venezuelanos em situação similar” no país.
A presidente interina da Venezuela também celebrou nas redes a vitória de Lula nas eleições à Presidência em 2022: “Que viva Lula! Que viva o grandioso povo do Brasil, que abre novos caminhos para a nossa América Latina”.
Um minuto depois de dar parabéns a Lula pela vitória, Delcy publicou uma foto de alguns presidentes de países do Grupo de Lima, formado em 2017 e que contou com chanceleres de 14 países. Tinha como objetivo “monitorar a situação na Venezuela”. Em 2019, decidiu não reconhecer a eleição de Maduro em 2018, por suspeitas de fraude.
Na fotografia compartilhada por Delcy estão, da esquerda para direita, os ex-presidentes Lenín Moreno (Equador), Iván Duque (Colômbia), Bolsonaro (Brasil), Sebastián Piñera (Chile) e Mauricio Macri (Argentina), todos de centro-direita e de direita.
Todos estão marcados como um “X”, alusão ao fato de que deixaram o poder ou haviam perdido o pleito, como era o caso de Bolsonaro. “Ele se meteu com a Venezuela! Ele se meteu com a Venezuela!”, escreveu a presidente interina da Venezuela.

