O presidente da Fifa, Gianni Infantino, condenou nesta 4ª feira (18.fev.2024) o possível ataque racista contra o brasileiro Vini Jr. O atacante do Real Madrid teria sido alvo de ofensas durante a partida contra o Benfica, em competição organizada pela Uefa.
O ataque aconteceu durante o confronto entre as equipes, válido pela Champions League. O jogador do Real Madrid tem sido vítima recorrente de ataques racistas, especialmente em partidas disputadas na Espanha.
“Fiquei chocado e triste ao ver o incidente de alegado racismo contra Vinícius Júnior no jogo da UEFA (União das Associações Europeias de Futebol) entre SL Benfica e Real Madrid CF”, afirmou Infantino em seu comunicado. O presidente da Fifa também afirmou: “Não há absolutamente nenhum espaço para racismo em nosso esporte e na sociedade – precisamos que todas as partes interessadas relevantes tomem medidas e responsabilizem os culpados.”
O dirigente destacou a necessidade de ação por parte de todos os órgãos envolvidos no esporte para que os responsáveis sejam devidamente punidos. A manifestação do presidente do órgão máximo do futebol mundial reforça a importância de combater comportamentos discriminatórios no esporte.
Infantino elogiou a atuação do árbitro François Letexier, que seguiu o protocolo antirracismo ao interromper a partida: “Parabenizo o árbitro François Letexier por acionar o protocolo antirracismo ao usar o gesto com o braço para interromper a partida e lidar com a situação.”
A Fifa tem desenvolvido iniciativas contra o racismo no futebol. O presidente mencionou especificamente a Iniciativa Global contra o Racismo e o Painel de Voz dos Jogadores como ferramentas da entidade para garantir que jogadores, árbitros e torcedores sejam respeitados e protegidos.
O presidente da Fifa concluiu sua manifestação reafirmando o compromisso da federação: “A FIFA e o futebol demonstram total solidariedade às vítimas do racismo e de qualquer forma de discriminação. Continuarei a reiterar: Não ao racismo! Não a qualquer forma de discriminação!”
O atacante Kylian Mbappé afirmou em entrevista pós-jogo ter ouvido o jogador do Benfica chamar Vini Jr. de “macaco” 5 vezes durante a comemoração do gol do brasileiro. Segundo ele, o camisa 25 do time português levantou a camisa e repetiu a ofensa. “Estou dizendo o que ouvi, e ouvi muito bem”, disse. O francês disse ter respeito pelo clube e pelo treinador adversário, mas defendeu punição ao jogador envolvido. “Esse jogador não merece mais jogar a Liga dos Campeões. Se deixarmos esse tipo de coisa passar, todos os valores do futebol perdem o sentido”, afirmou.
O treinador do Real Madrid, Álvaro Arbeloa, defendeu “tolerância zero” ao racismo e disse acreditar no relato de Vini Jr. “Perguntem ao jogador do Benfica o que ele disse. Todos no mundo do futebol merecem uma resposta”, afirmou. Arbeloa afirmou que o árbitro informou não ter ouvido nada e que, por isso, não poderia tomar providências durante a partida. O técnico disse que a comissão e os atletas apoiariam qualquer decisão tomada pelo atacante brasileiro.
O uruguaio Federico Valverde classificou o caso como “lamentável” e afirmou que os companheiros vão ajudar e apoiar Vini Jr. “Se você cobre a boca para dizer algo, é porque está dizendo algo errado”, afirmou. Ele admitiu que deixar o campo poderia ter sido uma opção diante da gravidade da situação, mas ressaltou que a equipe seguiu concentrada no jogo.
Em nota oficial, o Benfica informou que encara com “espírito de colaboração, transparência e abertura” as diligências anunciadas pela Uefa. O clube reafirmou compromisso com igualdade, respeito e inclusão, citando Eusébio como símbolo desses valores. A diretoria declarou ainda que apoia a versão apresentada por Gianluca Prestianni e afirmou que o jogador sempre pautou sua conduta pelo respeito aos adversários e às instituições.


