O X está novamente em polvorosa. Nos últimos dias, acusações graves contra a Binance e seu cofundador Changpeng Zhao (CZ) dominaram as timelines da rede social.O X está novamente em polvorosa. Nos últimos dias, acusações graves contra a Binance e seu cofundador Changpeng Zhao (CZ) dominaram as timelines da rede social.

CZ é chamado de “golpista” no X após críticas à Binance voltarem à tona; entenda a polêmica

2026/01/31 22:00

O X está novamente em polvorosa. Nos últimos dias, acusações graves contra a Binance e seu cofundador Changpeng Zhao (CZ) dominaram as timelines da rede social. Alguns usuários chamam CZ de “golpista” e exigem que ele seja “enviado de volta para a prisão”.

As críticas ressurgiram após declarações de Cathie Wood, CEO da Ark Invest, e Star Xu, fundador da OKX, sobre o crash de outubro de 2025. O episódio, conhecido como “Black Friday das criptos”, liquidou mais de US$ 19 bilhões em posições alavancadas em menos de 24 horas. A Binance reconheceu instabilidades técnicas no período, mas nega manipulação de mercado.

Crash de outubro liquidou US$ 19 bilhões e gerou acusações contra Binance

Uma das acusações mais graves envolvendo a Binance remonta a outubro, em um episódio que ficou conhecido como a “Black Friday das criptos”.

No dia 10 de outubro, o presidente dos Estados Unidos Donald Trump anunciou tarifas de 100% e controles de exportação contra a China. O anúncio teve impacto imediato nos mercados globais, provocando queda acentuada nos ativos de risco.

O setor cripto não foi exceção. O BeInCrypto noticiou que o Bitcoin caiu cerca de 10%. Altcoins de maior relevância acompanharam o movimento: o Ethereum (ETH), o XRP (XRP) e a BNB (BNB) registraram quedas acima de 15%.

Queda do mercado cripto em 10 de outubro.Queda do mercado cripto em 10 de outubro. Fonte: TradingView

Em menos de 24 horas, mais de US$ 19 bilhões em posições alavancadas foram liquidadas, no maior evento desse tipo já registrado pela empresa de análise de dados CoinGlass.

Inicialmente, o colapso foi considerado uma reação do mercado a notícias macroeconômicas. Porém, agentes do setor logo passaram a questionar se a queda teria ocorrido apenas de forma orgânica.

Nas redes sociais, alguns operadores sugeriram que a velocidade e o volume das liquidações indicavam uma ação coordenada, e não apenas uma venda generalizada. A atenção rapidamente se voltou para a Binance.

Usuários relataram contas congeladas e ordens de stop-loss que falharam

No momento mais agudo da queda, usuários da Binance relataram contas congeladas, ordens de stop-loss que falharam e dificuldades de acesso à plataforma. Alguns também citaram flashes de quedas abruptas que levaram ativos como Enjin (ENJ) e Cosmos (ATOM) próximos a zero.

O BeInCrypto informou que três ativos listados na Binance, entre eles USDe, wBETH e BNSOL, perderam brevemente sua paridade durante o caos no mercado.

A Binance reconheceu publicamente as interrupções registradas no episódio. A exchange atribuiu os atrasos e falhas de exibição a um “volume intenso de atividade”, reforçando que os fundos dos usuários permaneciam SAFU.

Ainda assim, a explicação não acalmou todos. Parte dos clientes acusou a Binance de se beneficiar da paralisação, alegando que a exchange teria auferido lucro durante o período de forte volatilidade.

Binance compensou usuários com US$ 283 milhões, mas críticas persistem

Dois dias após a queda, em 12 de outubro, a Binance divulgou nota após revisão interna do episódio. Conforme a exchange, os sistemas principais de negociação à vista e futuros, bem como as operações por API, seguiram ativos.

Apesar disso, a Binance admitiu que alguns módulos da plataforma passaram por instabilidades técnicas pontuais depois das 18h18 (horário de Brasília) do dia 10 de outubro, e que alguns ativos perderam paridade devido às oscilações extremas de mercado.

A Binance informou que fez a compensação dos usuários afetados em até 24 horas, distribuindo cerca de US$ 283 milhões em dois lotes.

Em 14 de outubro, a Binance lançou um apoio financeiro de US$ 400 milhões. O pacote incluiu US$ 300 milhões em vouchers de reembolso para traders elegíveis e o restante foi destinado a empréstimos institucionais de baixo custo.

Apesar de estar no centro das críticas da comunidade, a Binance não foi a única plataforma impactada durante o episódio. Outras grandes exchanges, entre elas Coinbase e Robinhood, também registraram instabilidades no período.

A movimentação do Bitcoin na Coinbase também foi alvo de apuração, porém não há provas que confirmem manipulação do mercado nem relação com o gatilho da queda.

Vale ressaltar que a repercussão persistiu nas semanas após a queda; algumas denúncias anteriores foram reavaliadas. Um investidor que chegou a acusar publicamente a Binance voltou atrás em suas declarações.

Após examinar os dados técnicos fornecidos pela exchange, o investidor afirmou que os registros da Binance não apresentavam erros de sistema. Em seguida, apagou o post original e declarou não querer contribuir com a disseminação de informações não verificadas.

CEO da Ark Invest e fundador da OKX reacendem debate em janeiro

Por um período, o assunto parecia resolvido. Contudo, 2026 chegou, reacendendo as denúncias. O movimento esteve bastante relacionado ao desempenho dos mercados de cripto nos meses seguintes a outubro.

Após o forte evento de desalavancagem, o mercado continuou sob pressão. O Bitcoin e o Ethereum perderam todos os ganhos de 2025 e fecharam o ano no negativo. Especialistas do segmento passaram a apontar o crash de outubro como um dos principais fatores para o desempenho fraco do setor.

O debate ganhou força após recentes declarações de Cathie Wood, CEO da Ark Invest. Em entrevista à Fox Business, ela afirmou:

Pouco depois, outros nomes do setor comentaram o tema. Star Xu, fundador da OKX, considerou que as pessoas “subestimaram o impacto do 10/10”, destacando que houve “prejuízo concreto e duradouro” para a indústria de cripto.

Segundo Xu, uma empresa líder deve priorizar infraestrutura essencial, confiança dos usuários e reguladores, além de zelar pela sustentabilidade do ecossistema. Sem citar companhias específicas, ele contrapôs esse ideal ao que vê como uma busca crescente por lucros imediatos.

Debate vai para o X

Observadores do mercado passaram a compartilhar supostos indícios de más práticas da Binance.

Em postagem no X, Star Platinum chamou atenção para o anúncio da Binance em 6 de outubro, informando que atualizaria a fonte de precificação da BNSOL e wBETH, com a mudança programada para 14 de outubro.

StarPlatinum ainda afirma que mais de US$ 10 bilhões circularam nas 24 a 48 horas anteriores ao evento, incluindo grandes influxos de USDT e USDC em hot wallets de exchanges.

O analista ainda destaca movimentações de USDe em carteiras que ele classifica como ligadas à Binance. Ao comparar a estratégia da Binance à da Coinbase, ele aponta:

StarPlatinum destacou ainda que importantes formadoras de mercado, como Wintermute e Jump, tiveram atuação limitada em USDe, wBETH e BNSOL durante o período de extrema volatilidade.

O analista também alega que uma nova conta acumulou cerca de US$ 1,1 bilhão em posições short de BTC e ETH nas duas horas finais antes do crash, com uma posição em ETH aumentando cerca de um minuto antes de uma publicação importante, gerando lucro estimado entre US$ 160 milhões e US$ 200 milhões.

Outro usuário acusou a Binance de manipular horários de liquidações. Segundo ele, após o crash, a exchange informou que compensaria liquidações elegíveis ocorridas após 05:18 (horário de Brasília).

Porém, diz o trader, sua liquidação foi registrada na plataforma às 05:17:06, ou seja, fora da janela de elegibilidade.

O investidor argumenta que esse horário conflita com um e-mail automático do sistema, mostrando o gatilho da liquidação às 05:20:08 (horário de Brasília), diferença de cerca de três minutos.

Usuário alega que Binance manipulou o registro de horárioUsuário alega que Binance manipulou registros de horário. Fonte: X/Mr_CryptoWhale

Enquanto isso, o próprio comunicado da Binance apresentou um intervalo de tempo diferente:

Tom de “golpista” contra CZ cresce

Com a disseminação dessas alegações, não demorou para que o tom nas redes sociais se intensificasse. Usuários começaram a compartilhar longos textos chamando CZ de “golpista” e acusando ele e a Binance de abusar sistematicamente do domínio de mercado em prejuízo de concorrentes e investidores de varejo.

Diversas postagens ganharam visibilidade, sendo amplificadas pela comunidade e até viralizando, enquanto apoiadores reagiam às acusações. Com mais engajamento, as alegações passaram a ser recorrentes na timeline da comunidade cripto no X.

Em entrevista ao BeInCrypto, Ray Youssef, CEO da NoOnes, classificou a Binance como um instrumento alinhado aos EUA para aquilo que chamou de “demolição controlada” do mercado cripto.

Youssef afirmou que Zhao se alinhou ao establishment dos Estados Unidos, que segundo ele, agora exerce a maior influência sobre os rumos da Binance.

Para Youssef, a aproximação crescente da Binance com autoridades americanas é motivo de inquietação. Ele sustenta que a exchange tornou-se um ativo controlado que pode, futuramente, ser utilizado para deflagrar ou acelerar uma queda generalizada do mercado.

As críticas também envolveram recentes declarações de Zhao sobre a estratégia de comprar e manter.

A fala gerou reação rápida. Críticos citaram o desempenho dos tokens listados na Binance, argumentando que muitos tiveram perdas expressivas e questionando se o método de comprar e manter seria viável para investidores comuns.

No entanto, reportagem do BeInCrypto mostra que a fragilidade não estava restrita à atuação de uma exchange específica. Tokens de cripto negociados nas grandes plataformas em 2025 tiveram dificuldades para sustentar desempenhos positivos.

O movimento foi verificado independentemente da exchange, evidenciando uma tendência de baixa de todo o mercado, e não atribuído a um só local de negociação.

Além disso, usuários também acusaram a Binance de vender Bitcoin durante o colapso desta terça-feira no mercado.

CZ minimiza acusações: “não é a primeira vez, não será a última”

Mesmo com o aumento das críticas, a Binance buscou sinalizar solidez. A exchange anunciou planos de converter toda a reserva de US$ 1 bilhão do Secure Asset Fund for Users (SAFU) de stablecoins para Bitcoin nos próximos 30 dias.

Em carta aberta à comunidade, a Binance enfatizou que “segue padrões elevados” e “busca constantemente melhorias com base no retorno” de usuários e do público em geral.

A exchange revelou que, em 2025, manteve investimentos em controles de risco, conformidade e desenvolvimento do ecossistema, destacando uma série de pontos:

  • A Binance informou que auxiliou na recuperação de US$ 48 milhões referentes a 38.648 depósitos incorretos de usuários.
  • Acrescentou que prestou suporte a 5,4 milhões de pessoas e evitou perdas potenciais estimadas em US$ 6,69 bilhões relacionadas a golpes.
  • Ressaltou que a cooperação com autoridades facilitou a apreensão de US$ 131 milhões provenientes de fundos ilícitos.
  • Mencionou que, em 2025, as listagens à vista abrangeram 21 blockchains, com destaque para Ethereum, BNB Smart Chain e Solana.
  • Relatou Prova de Reservas totalizando US$ 162,8 bilhões distribuídos entre 45 criptoativos.

Houve também uma resposta pessoal. CZ se manifestou publicamente, minimizando as recentes acusações ao classificá-las como parte de um ciclo recorrente.

O novo foco de críticas à Binance reflete mais do que um único episódio ou série de alegações. Evidencia como a confiança permanece frágil no segmento de cripto após anos de volatilidade, quedas causadas por alavancagem e falências de destaque.

Em um mercado que ainda busca se reerguer, questões não resolvidas tendem a voltar à tona.

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