O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, assinou o Quadro Jurídico para o Combate ao Crime Organizado. Com esta medida, criptomoedas e ativos ligados a organizações criminosas podem agora ser apreendidos e confiscados mediante ordem judicial.
A Lei n.º 15.358 visa o crime organizado no país como parte da repressão das autoridades.
A promulgação da lei não é surpreendente, dado que o Presidente enviou o projeto de lei ao legislativo brasileiro no ano passado. No entanto, inclui várias disposições que redefinem como as autoridades tratarão os ativos cripto apreendidos.
Nos termos da nova lei, os juízes podem congelar ou bloquear ativos cripto, mesmo durante investigações, mediante pedido do Ministério Público e sem informar o acusado. Tudo o que é necessário é prova suficiente de um crime grave.
Estas fazem parte de medidas preventivas, com os juízes também autorizados a suspender o acesso a exchanges de criptomoedas, carteiras e plataformas financeiras online para suspeitos mesmo antes da condenação. O Artigo 8 prevê todas estas medidas, observando que pode ser decretado sem ouvir o acusado.
No entanto, vai mais longe ao prescrever como deve acontecer o confisco de tais ativos, incluindo a partilha dos fundos. Dependendo de quem é responsável pela ação, os fundos serão alocados ao Fundo de Segurança Pública do estado ou distrito federal.
Curiosamente, vai mais longe ao permitir a venda antecipada de ativos cripto mesmo antes da condenação, uma vez que exista uma ligação clara com atividade ilegal. A lei também responsabiliza o uso de ferramentas de privacidade ou aplicações de mensagens encriptadas para ocultar atividade criminosa, observando que isto pode atrair penalidades mais severas.
Entretanto, os esforços legislativos são uma reação à crescente adoção de criptomoedas no Brasil. O país tem um dos níveis mais elevados de adoção de criptomoedas na América Latina, com parte desta a provir de atividade ilícita por grupos de crime organizado.
Brasil lidera a adoção de criptomoedas na América Latina. Fonte: Chainalysis
Com um grupo criminoso, o PCC, alegadamente a usar criptomoedas para branquear 2,4 mil milhões de dólares, a repressão não é surpreendente. No entanto, outras regulamentações visando criptomoedas também levantaram preocupações.
Uma das principais é a lei do imposto sobre criptomoedas, que o governo adiou recentemente até após a eleição de outubro de 2026. O país tem atualmente um imposto fixo de 17,5% sobre ganhos de capital em criptomoedas, que introduziu no ano passado.
No entanto, há relatos de que o governo quer introduzir impostos adicionais sobre ativos digitais e aumentar a supervisão regulamentar do setor. Fontes afirmam que a decisão de abrandar os planos se deve às próximas eleições e à potencial resistência à nova tributação.
O artigo Presidente Brasileiro Assina Lei para Usar Criptomoedas Apreendidas para Segurança Pública foi publicado primeiro em The Market Periodical.


