A gestora suíça Partners Group, que conta com US$ 185 bilhões de ativos sob gestão, liderou a rodada de R$ 855 milhões na Omie, o maior aporte em uma startup de growth no Brasil no ano passado. Por trás desse cheque, está uma estratégia que deve ter desdobramentos ao longo dos próximos anos no país.

“A Omie foi o primeiro cheque da estratégia de growth equity”, diz Tiago Andrade, head de private equity para a América Latina, ao Café com Investidor, programa do NeoFeed que conversa com os principais investidores do Brasil. “Queremos fazer um investimento como a Omie por ano”.

Como o cheque varia entre US$ 50 milhões e US$ 150 milhões — uma média de US$ 100 milhões —, a expectativa é que a Partners Growth possa atingir US$ 500 milhões sob gestão em cinco anos nessa estratégia na região.

As candidatas a receber o cheque, assim como a Omie, devem, no entanto, cumprir alguns pré-requisitos. O primeiro deles é ter crescimento orgânico de, ao menos, 30% ao ano.

Outro requisito é contar com um diferencial competitivo, que seja difícil de replicar. É necessário ter alto grau de recorrência e retenção de clientes. E contar com ganhos de escala para entregar margens melhores com o crescimento.

O caso da Omie é quase didático para explicar como a Partners Group investe. A empresa cresce mais de 30% ao ano, atua em um mercado ainda pouco penetrado — apenas cerca de 15% das PMEs brasileiras usam software de gestão — e tem tecnologia difícil de replicar. “Esse tipo de tendência microeconômica independe de juros ou câmbio”, afirma Andrade. “É isso que sustenta a tese.”

Outro ponto da estratégia da Partners Group na América Latina é captação. Na região, a gestora suíça, que atua em mercados privados como private equity, crédito privado, infraestrutura, imobiliário e royalties, levantou quase US$ 500 milhões no ano passado.

Mas o Brasil não é, como diz André Lemos, responsável pela relação com investidores da Partners Group, o “gorila” na sala. México, Chile e Colômbia são os países mais importantes, por conta de fundos de pensão, que investem boa parte dos recursos no exterior como uma estratégia de diversificação de risco.

“O brasileiro pensa muito em moeda local”, afirma Lemos. “Você tem essa taxa de juros muito alta que também não ajuda você querer diversificar um pouco mais. Além de haver muitas oportunidades no Brasil.”

No ano passado, a gestora fez uma parceria com a Gama Investimentos e trouxe para o Brasil um espelho do Partners Group Global Value, um fundo evergreen, que não tem prazo de saída definido. O Bradesco entrou como investidor âncora.

Lemos diz que vê com bons olhos as plataformas e bancos locais, que estão começando a oferecer cada vez mais produtos para mercados privados no Brasil.

Nesta conversa, que você assiste no vídeo acima, Andrade e Lemos explicam em detalhes a estratégia da Partners Group na América Latina e explicam os fundos evergreen, uma estratégia criada pela gestora suíça que está ganhando cada vez mais adeptos ao redor do mundo.