O Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto percentual (p.p.), para 14,75% ao ano, pela primeira vez desde maio de 2024. A decisão unânime foi anunciada na noite desta “superquarta” (18).
A flexibilização acontece após cinco manutenções consecutivas, que sucederam a terceira maior série de altas da história — sequência de sete aumentos.
No relatório, os dirigentes do Banco Central (BC) destacaram que o ambiente externo se tornou mais incerto com o aumento das tensões no Oriente Médio. Esse movimento afeta países emergentes, como o Brasil, principalmente por meio do câmbio e dos preços internacionais de produtos como petróleo e alimentos, que influenciam a inflação doméstica.
Também foi citado que, apesar de sinais recentes de desaceleração, a inflação ainda permanece acima da meta estabelecida pelo BC — de 3% ao ano. As expectativas de inflação também continuam desancoradas (afastadas da meta):
Além disso, indicadores apontam para uma moderação do crescimento econômico. Por outro lado, o mercado de trabalho ainda apresenta resiliência, com níveis de emprego sustentando a demanda.
Para Fabio Louzada, CEO da B7 Business School, a alta do petróleo, que pressiona expectativas de inflação, e a manutenção dos juros nos Estados Unidos reduziram o espaço para a flexibilização no Brasil, cenário que pode desacelerar o crescimento econômico.
João Kepler, CEO da Equity Group, afirma que cortes mais lentos mudam completamente a lógica de crescimento das empresas, com startups deixando de crescer com base em funding e passando a depender de eficiência e receita.
“Se esse cenário persistir, 2026 tende a ser um ano de consolidação, não de expansão acelerada”, completa.
A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira e exerce influência direta tanto sobre a atividade econômica quanto sobre o cotidiano da população, sendo utilizada principalmente como instrumento de controle da inflação.
Quando a taxa é elevada, contribui para a desaceleração da economia e para a contenção da inflação. Já quando a taxa é reduzida, a atividade econômica tende a se aquecer, estimulando o consumo.
A Selic também funciona como parâmetro para as taxas praticadas pelos bancos em operações de crédito, como financiamentos e empréstimos. Além disso, tem impacto direto sobre os investimentos em renda fixa, influenciando a rentabilidade dos títulos disponíveis ao investidor.
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