O processo de consolidação de assessoria de investimentos avançou mais uma quadra nesta sexta-feira, 13 de março. Nucleopar Investimentos e Virtue anunciam a fusão de suas operações, que cria uma plataforma com R$ 4,5 bilhões sob custódia, aproximadamente 150 assessores e cerca de 7,2 mil clientes ativos.
A transação teve a Veritas, consultoria especializada no mercado financeiro, como a única advisory. “Boa parte desses movimentos é uma força maior absorvendo uma menor. O nosso espírito é começar um novo negócio a partir de experiências já formuladas”, afirma Marcelo Porto, sócio-fundador e CEO da Nucleopar, ao NeoFeed.
A nova empresa, que terá a Nucleopar como única marca, pretende se posicionar como uma alternativa para escritórios de porte intermediário que buscam escala sem perder autonomia.
“Pretensiosamente, talvez a gente venha se tornar uma terceira via nesse movimento”, afirma Porto, que continua como CEO da nova operação. Seu irmão Maurício Porto será o COO e Philipe Jorge, fundador da Virtue, o CCO.
Ao fazer a estruturação do negócio e a modelagem da nova operação, a Veritas percebeu que fusão reuniria duas operações com perfis diferentes ao longo da jornada do investidor.
A Nucleopar, com cerca de R$ 3 bilhões sob custódia, tem forte presença entre clientes com patrimônio mais consolidado e maior complexidade financeira. Além disso, a casa é conhecida pelo seu histórico de renda variável com os dois fundadores vindos da época de pregão viva-voz na bolsa de valores
Já a Virtue, que administra R$ 1,5 bilhão, tem atuação mais forte na fase inicial de formação de investidores e como diferencial o trabalho com a renda fixa, principalmente títulos de crédito privado.
Segundo Porto, a lógica da operação não está apenas em redução de custos (um dos argumentos tradicionais em fusões) mas principalmente no potencial de geração de novas receitas.
“Mais do que sinergia de despesas, o fator determinante da fusão é a capacidade de gerar um alfa relevante de receitas a partir das complementariedades entre as empresas”, diz Porto.
Apesar da complexidade típica desse tipo de operação, a negociação foi relativamente rápida. Todo o processo levou cerca de quatro meses - da assinatura do acordo de confidencialidade até a definição da nova estrutura societária.
“O trabalho foi muito mais técnico do que de negociação. Quando apresentamos o valuation das duas empresas, as partes chegaram rapidamente a um consenso”, afirma Anderson Timm, CEO da Veritas.
Mercado mais seletivo
A fusão ocorre em um momento em que o crescimento do setor começa a desacelerar. Os números indicam um mercado mais maduro e menos dependente da abertura de novos escritórios.
Levantamento da Veritas com base em dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) mostra que 3.508 novos assessores pessoa física entraram no mercado em 2025, uma queda de 6,2% em relação ao ano anterior.
No caso das assessorias estruturadas como pessoa jurídica, foram registrados 168 novos escritórios, recuo de 26,6%, totalizando 1.426 operações ativas no país.
“Esse cenário aponta para um crescimento cada vez mais baseado na consolidação das operações e no ganho de escala”, diz Anderson Timm, CEO da Veritas.
O movimento de Nucleopar e Virtue acompanha uma onda de consolidação entre assessorias de investimentos no Brasil. Nos últimos meses, operações como a aquisição da IVP pela SVN e a compra da Únimo, de Curitiba, pela Blue3 reforçaram a busca por escala no setor.
A própria XP também tem acelerado investimentos em escritórios independentes, como as participações na Nippur Finance e na Inove Investimentos.
Em outra frente, a Monte Bravo incorporou a Trafalgar Investimentos, adicionando cerca de R$ 7 bilhões em ativos à sua plataforma.
Segundo Timm, a Nucleopar pode se posicionar como um consolidador no mercado de assessorias, especialmente entre escritórios de porte médio. “Esse caso já é uma mensagem para o mercado de que a Nucleopar pode se posicionar como um dos grandes consolidadores do setor.”


