Às vésperas do Dia do Consumidor, celebrado em 15 de março, o e-commerce brasileiro deve disparar com o aumento de promoções e a praticidade na hora de adquirir produtos ou serviços. Em 2025, as compras online tiveram um faturamento de R$ 235,5 bilhões, um crescimento anual de 15,3%, segundo a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm).
Dados da Neotrust Confi também apontam que os brasileiros costumam aguardar as “datas comerciais” para gastar. No ano passado, a chamada Semana do Consumidor movimentou R$ 8,3 bilhões, aumento de 13,6% em relação ao ano anterior.
Segundo Pablo Zapata, CEO e fundador da TrackingTrade, o consumidor brasileiro costuma considerar o preço como um dos principais fatores na decisão de compra. Por isso, a definição de estratégias de abastecimento e estoque pelos varejistas pode influenciar o desempenho de vendas.
Ele afirma que o sucesso das vendas em datas sazonais começa antes mesmo das promoções, no processo conhecido como sell-in, quando fabricantes abastecem os varejistas com produtos para garantir estoque disponível no período de maior demanda.
Além disso, é essencial que varejistas monitorem preços e margens para evitar perdas financeiras durante este tipo de campanha.
A pesquisa Panorama de Sentimento das Lideranças aponta que 80% das empresas no Brasil utilizam ferramentas de controle de preços, mas executivos enxergam dificuldades relacionadas à integração de processos e à definição de estratégias comerciais.
Para Zapata, a ausência de planejamento nas decisões comerciais pode gerar impactos financeiros relevantes, uma vez que, durante esses períodos, fornecedores e marketplaces ampliam investimentos para impulsionar vendas, o que pode aumentar a competição entre marcas.
“Um planejamento de vendas e operações (S&OP) alinhado à definição de políticas comerciais, contratos com canais de venda, logística e ações de trade marketing pode contribuir com o sucesso em datas promocionais, como o Dia do Consumidor“, finaliza.
O aumento das compras durante o Dia do Consumidor também acende um alerta para consumidores e empresas, de acordo com o Itaú: o crescimento das tentativas de golpes e fraudes no ambiente digital.
Segundo dados da empresa de tecnologia antifraude Signifyd, março foi o mês com maior volume de tentativas de fraude no e-commerce brasileiro em 2025.
Um dos riscos mais comuns é o chamado golpe da falsa venda. Nesse tipo de fraude, criminosos criam sites com aparência semelhante à de lojas conhecidas, publicam anúncios enganosos em redes sociais ou utilizam perfis falsos em plataformas de compra e venda.
Para atrair vítimas, os golpistas costumam oferecer descontos adicionais para pagamentos via Pix ou boleto. Após a transferência do dinheiro, o produto não é entregue e a recuperação do valor se torna mais difícil.
Segundo Felipe Tambelini, diretor de Prevenção a Fraudes do banco, períodos de maior consumo tendem a ser explorados por criminosos. “Em datas de alto consumo, os fraudadores exploram o desejo das pessoas por uma boa oportunidade. Um comportamento preventivo é a principal ferramenta para garantir uma compra segura e evitar prejuízos”, acrescenta.
Além dos consumidores, empresas também podem ser alvo de golpes, principalmente em negociações online ou transações comerciais feitas durante períodos de maior volume de vendas. Entretanto, Gabriel Vecchia, country manager da Signifyd no Brasil, afirma que decisões excessivamente conservadoras para evitar fraudes também podem gerar perdas para o varejo.
Dados da empresa de tecnologia antifraude mostram que as fraudes representam cerca de 1% das transações, enquanto alguns varejistas chegam a rejeitar mais de 10% dos pedidos por receio de golpes.
“Se uma compra legítima é negada, o cliente migra rapidamente para o concorrente e dificilmente retorna ao e-commerce que o frustrou”, afirma.
Segundo o executivo, o desafio do setor é equilibrar segurança e experiência do cliente, utilizando tecnologias de análise de dados e inteligência artificial para identificar fraudes sem bloquear compras legítimas.
Instituições financeiras e especialistas em segurança digital recomendam algumas medidas para reduzir riscos durante compras pela internet. Entre elas estão:
Para empresas, especialistas também recomendam verificar a reputação de fornecedores, confirmar pagamentos diretamente na conta bancária antes de enviar mercadorias e evitar negociações feitas sob pressão ou com senso de urgência.
Caso o consumidor identifique que foi vítima de um golpe, a orientação é registrar um boletim de ocorrência e comunicar o banco, principalmente quando o pagamento for feito via Pix, utilizando o Mecanismo Especial de Devolução (MED) para contestar a transação.
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