O custo da construção civil no Brasil aumentou 0,23% em fevereiro, revelando uma desaceleração de 1,31 ponto percentual em relação à variação observada no mês aO custo da construção civil no Brasil aumentou 0,23% em fevereiro, revelando uma desaceleração de 1,31 ponto percentual em relação à variação observada no mês a

Impactos da guerra no Oriente Médio já refletem alta no setor de construção

2026/03/14 02:55
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O custo da construção civil no Brasil aumentou 0,23% em fevereiro, revelando uma desaceleração de 1,31 ponto percentual em relação à variação observada no mês anterior, cuja alta foi influenciada pela reoneração de 5 pontos percentuais na folha de pagamento das empresas da construção civil, segundo dados do Índice Nacional da Construção Civil (SINAPI) divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (12).

Nos próximos meses, segundo especialistas, os custos da construção devem ser impulsionados pelas taxas de frete e importação, que já são negociadas a preços maiores devido à alta do petróleo no mercado internacional e reflexos em toda a cadeia de produção.

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Eduardo Giannotti, diretor de comércio exterior do Grupo Terzian, explica que a alteração nos custos do frete é um dos primeiros impactos da alta do petróleo a serem sentidos, considerando que o frete é mais sensível a qualquer impacto do fluxo do mercado.

Giannotti explica que, desde o início dos conflitos no Oriente Médio, os custos de importação de produtos do setor de construção civil já triplicaram e podem chegar a percentuais mais altos, contribuindo para o aumento da inflação medida pelo IPC nos próximos meses, caso os conflitos e seus efeitos econômicos sejam prolongados.

Desde o início do ano, o Índice Nacional da Construção Civil acumula alta de 1,77%, enquanto no período de 12 meses, a variação é de 6,71%, estável, considerando a taxa registrada em 2025.

Principais fatores que aumentam o custo do frete

Giannotti explica que a alta nos custos do frete não é atribuída apenas ao aumento dos preços do petróleo, mas a uma gama de fatores que impactam toda a cadeia.

O desvio de rotas próximas às regiões do conflito, aponta o especialista, aumenta o trajeto e, consequentemente, os custos de frete. Além disso, pesa o custo do seguro, que também é inflado considerando os riscos de transporte pela rota convencional e o maior tempo de permanência para realizar o trajeto.

Nesse contexto, é comum que fornecedores anunciem lockdown e deixem de vender os estoques, contando com a inflação durante o período do conflito, para vender a um preço mais alto.

No entanto, Giannotti pondera que o repasse desse reajuste é gradual, ao tempo em que o mercado acompanha se haverá um tempo maior de inflação dos preços ou se trata de um aumento atípico que impacte apenas no curto prazo.

Caso contrário, esse aumento deve ser constante porque o repasse da importação, do crédito que ficou mais caro, dos custos de alumínio, cobre e cimento, por exemplo, vai sendo adicionado aos poucos nos preços e isso gradativamente deve aumentar o IPC.

Preços do petróleo refletem em toda a cadeia produtiva

Evidentemente, com a alta do petróleo, aumentam os custos de energia e consequentemente os custos de produção, desencadeando um efeito cascata em toda a cadeia produtiva, que reflete no reajuste dos preços dos produtos destinados ao setor de construção civil.

O diretor de comércio exterior destaca que diante dos efeitos dos preços elevados do petróleo é comum a busca do mercado financeiro por metais como ativos de segurança, tais como ouro e prata, cuja valorização tende a puxar o preço de outros metais, inclusive os utilizados no setor de construção civil, como o cobre e alumínio, por exemplo.

Nesse mesmo sentido, aponta o especialista, o mercado também busca por moedas fortes, como o dólar, repercutindo no encarecimento dos custos de importação e, por fim, nos preços de materiais utilizados no setor; aumento esse que deve ser visto no IPC nos próximos meses, caso o conflito perdure.

Custo da construção por m² aumenta no país

De acordo com o SINAPI, com a variação registrada no mês de fevereiro, o custo médio nacional da construção por m² passou de R$ 1.920,74 em janeiro para R$ 1.925,08 em fevereiro.

O valor total é composto por dois grupos principais:

  • Materiais: R$ 1.085,16 por m2
  • Mão de obra: R$ 839,92 por m2

O indicador acompanha mensalmente a evolução dos gastos necessários para executar obras no país.

Materiais de construção avançam mais que a mão de obra

Os materiais de construção apresentaram alta de 0,36% em fevereiro. A variação ficou 0,09 ponto percentual acima da registrada em janeiro (0,27%) e 0,07 ponto percentual superior à observada em fevereiro do ano passado (0,29%).

Já a mão de obra registrou variação de 0,06% no mês, que corresponde à queda de 3,16 pontos percentuais em relação à alta de 3,22% observada em janeiro. Esse movimento está relacionado principalmente ao impacto da reoneração da folha de pagamento das empresas da construção civil no início do ano.

Na comparação com fevereiro de 2025, quando foi registrada alta de 0,14%, houve redução de 0,08 ponto percentual.

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Projeção para os próximos meses desconsiderando o cenário geopolítico

Segundo projeção do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (IBEVAR), em parceria com a FIA Business School, o setor de Varejo Ampliado, indicador que inclui segmentos mais dependentes de crédito, como materiais de construção, deve apresentar desempenho mais fraco nos próximos meses, considerando a maior exposição ao crédito e à renda.

Para março, a projeção do IBEVAR aponta queda de 1,94% em relação a fevereiro e recuo de 3,73% na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Com esse resultado estimado, o setor passaria a registrar queda de 1,53% no acumulado de 2026 e recuo de 0,56% em 12 meses.

Para abril, a expectativa é de continuidade do movimento negativo, com retração mensal de 1,4% e queda de 3,07% na comparação anual.

Já no mês de maio, deve haver uma recuperação pontual na margem, com alta de 1,56% frente a abril. Ainda assim, o desempenho na comparação com o mesmo período do ano anterior ainda seria negativo, com queda de 1,58%.

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