Sicário tinha em sua casa uma pistola calibre .380, sem registro nos sistemas oficiais, segundo voto do ministro André MendonçaSicário tinha em sua casa uma pistola calibre .380, sem registro nos sistemas oficiais, segundo voto do ministro André Mendonça

PF apreendeu pistolas, espingarda e carabina com grupo de Vorcaro

2026/03/13 23:48
Leu 5 min
Para enviar feedbacks ou expressar preocupações a respeito deste conteúdo, contate-nos em [email protected]

A Polícia Federal apreendeu armas encontradas com funcionários de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, no dia da 3ª fase da Operação Compliance, em 4 de março deste ano.

No caso de Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado investigado por participar de grupo de monitoramento de adversários de Vorcaro, a corporação identificou:

  • uma pistola Taurus calibre .40;
  • uma pistola Glock calibre 9mm;
  • uma carabina Rossi calibre 22;
  • uma espingarda CBC calibre 12;
  • carregadores e munições de diversos calibres.

Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, chamado de Sicário, tinha em sua casa uma pistola calibre .380, municiada, acompanhada de carregadores e munições, sem registro nos sistemas oficiais. O funcionário morreu em 6 de março, depois de tentar se matar enquanto estava sob custódia da Polícia Federal em Belo Horizonte. A corporação não detalhou o que aconteceu.

As informações constam no voto proferido pelo relator do caso nesta 6ª feira (13.mar.2026) durante julgamento em plenário virtual para referendar a decisão que autorizou a prisão de Vorcaro. Eis a íntegra (PDF – 359 kB).

Mendonça citou as armas para rebater a tese da defesa, que entrou com recurso contra a decisão do ministro. Os advogados afirmaram que classificar a organização criminosa armada seria “mera ilação, destituída de credibilidade” porque “não se verificou a mínima referência a armas de fogo, isto é, ninguém dos ditos envolvidos foi flagrado na posse de armas ao tempo dos contatos do Peticionário com tais pessoas, tornando indevido a mais não poder se aduzir sobre a existência de alguma milícia”.

Para o ministro, “não há como afastar a repisada natureza de organização criminosa armada do grupo em questão, conhecido como “A Turma””. Em seu voto, Mendonça também diz que:

  • ainda há 8 celulares de Daniel Vorcaro a serem analisados;
  • a polícia “comprovou a prática de atos de ameaças concretas” e que um ex-funcionário de Vorcaro e sua família foram ameaçados de morte;
  • o grupo chamado de A Turma, responsável por intimidar adversários do ex-banqueiro, “ainda se apresenta como uma perigosa ameaça em estado latente, pois conta com integrantes que ainda estão à solta”;

Já há maioria formada, com Luiz Fux e Nunes Marques acompanhando o entendimento de Mendonça. Toffoli se declarou suspeito para votar e Gilmar Mendes ainda não se manifestou.

3ª FASE DA COMPLIANCE ZERO

Vorcaro voltou a ser preso em 4 de março, na 3ª fase da Compliance Zero.

A ordem de prisão partiu de Mendonça. Na decisão (íntegra – PDF – 384 kB), o ministro disse que Vorcaro “manteve atuação direta na condução de estratégias financeiras e institucionais relacionadas à instituição, participando de decisões voltadas à captação de recursos no mercado financeiro e à sua posterior alocação em estruturas de investimento vinculadas ao próprio conglomerado econômico”.

Segundo ele, elementos da investigação indicam que o banqueiro “participou da estruturação de modelo de captação de recursos mediante emissão de títulos bancários com remuneração significativamente superior à média de mercado, direcionando os valores obtidos para investimentos em ativos de maior risco e baixa liquidez, inclusive por meio de fundos de investimento em direitos creditórios nos quais o próprio Banco Master figurava como cotista”.

Segundo a PF, o esquema investigado apresenta 4 núcleos principais de atuação:

  • 1 – núcleo financeiro, responsável pela estruturação das fraudes contra o sistema financeiro;
  • 2 – núcleo de corrupção institucional, voltado à cooptação de funcionários públicos do Banco Central;
  • 3 – núcleo de ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro, com utilização de empresas interpostas;
  • 4 – núcleo de intimidação e obstrução de Justiça, responsável pelo monitoramento ilegal de adversários, jornalistas e autoridades.

Além de Vorcaro, foram presos:

  • Fabiano Zettel, investigado por realizar pagamentos e orientar núcleo de intimidação;
  • Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado investigado por participar de grupo de monitoramento de adversários de Vorcaro;
  • Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, chamado de Sicário –morreu em 6 de março depois de tentar se matar enquanto estava sob custódia da Polícia Federal em Belo Horizonte. A corporação não detalhou o que aconteceu.

O CELULAR DE VORCARO

A quebra do sigilo dos dados telemáticos do fundador do Master identificou que ele mantinha em seu ceular o contato dos telefones e autoridades dos Três Poderes, como 3 ministros do STF; parentes de ministros, como a advogada Viviane Barci de Moraes; 6 congressistas; além de 2 diretores do BC (Banco Central) –autarquia que regula e investiga a instituição. 

As mensagens estavam em um dos celulares apreendidos de Vorcaro. 

Com base no conteúdo obtido, eis o que se sabe sobre o empresário até o momento:

  • Vorcaro e namorada planejaram levar filha de Trump à Sapucaí
  • Empresário levava vida de luxo e tinha agenda de negócios cheia
  • Fundador do Master acelerou a venda de cobertura de R$ 60 mi no dia em que foi preso
  • Tinha contatos salvos de Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e outras autoridades
  • Banqueiro disse que Augusto Lima bateu na mulher e casal negou
  • Vorcaro discutiu com funcionário pagamentos mensais a site de esquerda
  • Empresário se gabou para a então namorada por levar ministros para Londres
  • Demonstrava preocupação com cobertura jornalística
  • Comprou um barco para a namorada, mas pediu que ela não tirasse fotos
  • Sugeriu em mensagens que encontro com Lula foi “ótimo”
  • Seu celular tinha o contato de “Vivi Moraes”
  • Rueda e Ciro Nogueira voaram em seu helicóptero em SP
  • Disse que era “zero” a chance de o BC barrar a venda do Master
  • Citou encontro com Hugo Motta e elogiou emenda de Ciro Nogueira
  • Sugeriu em mensagens que BTG queria barrar acordo com BRB
  • Chamou Jair Bolsonaro de “beócio” e reclamou de post dele sobre Master
  • Deu relógio suíço avaliado em R$ 1 mi a Nelson Tanure
Oportunidade de mercado
Logo de Nosana
Cotação Nosana (NOS)
$0.19291
$0.19291$0.19291
-1.16%
USD
Gráfico de preço em tempo real de Nosana (NOS)
Isenção de responsabilidade: Os artigos republicados neste site são provenientes de plataformas públicas e são fornecidos apenas para fins informativos. Eles não refletem necessariamente a opinião da MEXC. Todos os direitos permanecem com os autores originais. Se você acredita que algum conteúdo infringe direitos de terceiros, entre em contato pelo e-mail [email protected] para solicitar a remoção. A MEXC não oferece garantias quanto à precisão, integridade ou atualidade das informações e não se responsabiliza por quaisquer ações tomadas com base no conteúdo fornecido. O conteúdo não constitui aconselhamento financeiro, jurídico ou profissional, nem deve ser considerado uma recomendação ou endosso por parte da MEXC.