Durante décadas, as reservas financeiras de um país eram formadas basicamente por ouro, dólares e títulos soberanos. A lógica é simples: quando há turbulência  Durante décadas, as reservas financeiras de um país eram formadas basicamente por ouro, dólares e títulos soberanos. A lógica é simples: quando há turbulência

Brasil pode acumular até 1 milhão de BTC: o que realmente está em debate sobre reservas de Bitcoin

2026/03/13 22:34
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 Durante décadas, as reservas financeiras de um país eram formadas basicamente por ouro, dólares e títulos soberanos. A lógica é simples: quando há turbulência cambial, fuga de capital ou dificuldade para pagar compromissos externos, esse “colchão” entra em cena. É a poupança de emergência do Estado. No Brasil, o debate agora é se um novo ativo deve entrar nessa cesta: o Bitcoin. A discussão voltou à pauta com o PL 4.501/2024 e, sobretudo, com o substitutivo apresentado em fevereiro de 2026, que ampliou o alcance da proposta.
O gancho que chamou atenção não foi só a ideia de uma reserva em Bitcoin, mas a escala sugerida na versão mais agressiva do texto. O substitutivo fala em “entesourar” ao menos 1 milhão de BTC em cinco anos. Como a oferta total do Bitcoin é limitada a 21 milhões de unidades, isso equivaleria a algo perto de 5% de todo o estoque final do ativo. Em linguagem menos técnica, seria como um país decidir comprar uma fatia relevante de um metal raro cujo suprimento é fixo. Isso ajuda a explicar por que o tema deixou de parecer uma curiosidade legislativa e passou a ser tratado como debate de política econômica.
O texto original era mais contido. Ele buscava criar a RESBit, uma reserva estratégica soberana de bitcoins, com foco em diversificar os ativos do Tesouro, proteger reservas contra flutuações cambiais e riscos geopolíticos, fomentar blockchain e até dar lastro ao Drex. Já o substitutivo mudou o tom. Em vez de apenas autorizar uma exposição limitada, adotou uma abordagem mais ampla, com meta explícita de acumulação e outras medidas relacionadas ao ecossistema cripto. Em termos práticos, a diferença é a mesma entre permitir que um fundo compre uma pequena posição em um ativo novo e transformar essa compra em estratégia central de portfólio.
É aqui que a comparação internacional ajuda a tirar o debate da abstração. El Salvador, o caso mais famoso de adoção estatal de Bitcoin, possui cerca de 7,6 mil BTC. Nos Estados Unidos, a reserva estratégica criada em 2025 foi estruturada principalmente a partir de bitcoins já apreendidos pelo governo, e estimativas apontam um estoque em torno de 200 mil BTC. Ou seja, mesmo entre os governos que já lidam com o ativo, a escala costuma ser limitada ou derivada de apreensões, não de compras abertas no mercado. Se o Brasil realmente perseguisse a marca de 1 milhão de BTC, entraria em outra categoria.
Os defensores da ideia têm um argumento fácil de entender. Hoje, boa parte das reservas internacionais do mundo está concentrada em dólar, títulos do Tesouro americano e, em menor medida, ouro. Isso dá segurança, mas também cria dependência. É como uma família que guarda toda a poupança em uma única moeda e em um único sistema bancário. Funciona bem até que a política monetária desse emissor mude, os juros oscilem fortemente ou tensões geopolíticas alterem o custo dessa dependência. O argumento pró-Bitcoin é que  

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