O consultor político e editor da Letters from Leo, Christopher Hale, afirma que o Papa Leão XIV já está farto das máscaras humanas de plástico e da pele esticada que inundaram a Casa Branca nos anos desde que o Presidente Donald Trump desceu pela primeira vez uma escada rolante.
"Em Washington, D.C., os cirurgiões plásticos relatam um aumento nos pedidos do que a indústria agora chama de 'rosto de Mar-a-Lago' — o visual esculpido, congelado, perpetuamente de trinta e cinco anos que se tornou uniforme entre o círculo íntimo de Trump", relata Hale. "Maxilares severos, maçãs do rosto afiadas como navalhas, lábios que fariam Mick Jagger corar. A Axios reportou que a tendência está a acelerar à medida que os leais a Trump inundaram a capital, trazendo a estética de Palm Beach consigo. O visual tornou-se tão reconhecível que funciona como um sinal político — uma forma de anunciar, através do seu rosto, de que equipa faz parte."
Agora o Vaticano manifestou-se, e as redes sociais estão em ebulição.
Num documento de 48 páginas intitulado Quo Vadis, Humanitas? ["Para Onde Vais, Humanidade?"], a Comissão Teológica Internacional do Vaticano, com a aprovação explícita do Papa Leão XIV, emitiu a sua crítica mais severa à cultura da cirurgia estética que está a transformar D.C. numa legião de manequins ambulantes.
A comissão está a soar o alarme sobre um novo "culto do corpo" insidioso, marcado pelo que chama de "busca frenética de uma figura perfeita". Mas a crítica do Vaticano é mais do que apenas um ligeiro retoque.
"Corta mais fundo do que a estética", disse Hale. "Os teólogos identificam um paradoxo doloroso no coração do complexo industrial da beleza: 'O corpo ideal é exaltado, procurado e cultivado, enquanto o corpo real não é verdadeiramente amado, sendo fonte de limitações, fadiga, envelhecimento.'"
O documento critica a tendência do culto para "reduzir o corpo a material biológico a ser melhorado, transformado e remodelado à vontade, com o sonho de alcançar condições de vida que evitem a dor, o envelhecimento e a morte". A busca pela perfeição cirúrgica equivale a uma obsessão pouco saudável com "a tentativa de escapar ao que significa ser humano".
A opinião recebeu aplausos de muitos utilizadores das redes sociais e levou Joy Behar, de The View, a admitir que era melhor não convidar o papa e as Kardashians para a mesma festa. Mas Hale disse que o Vaticano identificou um fenómeno que se estende muito além do Botox.
"O homem não é um átomo perdido num universo aleatório", disse o Vaticano, "mas é uma criatura de Deus, a quem Ele quis dar uma alma imortal e a quem Ele sempre amou".
"Numa cultura onde os aliados mais próximos do presidente sinalizam lealdade através de maçãs do rosto correspondentes, onde jovens homens se injetam com peptídeos não regulamentados para maximizar as suas linhas de maxilar, e onde o envelhecimento é tratado como uma falha de autodisciplina em vez de uma dimensão da experiência humana, a mensagem do Vaticano chega com força inesperada", argumentou Hale. "As suas rugas não são uma deficiência".
"Deus fez-te mortal, e essa mortalidade é onde o encontro com a graça começa", disse Hale.


