Painel da B3 registra forte queda no início do pregão desta quinta-feira. (Fonte: Gemini)
O Ibovespa registra forte queda superior a 2% no pregão desta quinta-feira (12), pressionado por uma combinação negativa de dados domésticos e instabilidade global. O mercado reage ao avanço do IPCA em fevereiro e à escalada militar no Oriente Médio, que impulsiona o preço do petróleo e gera aversão ao risco nos principais mercados internacionais.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,70% em fevereiro, aproximando-se do teto das projeções do mercado, que era de 0,72%. O número representa uma aceleração significativa em relação aos 0,33% apurados em janeiro.
Embora o acumulado em 12 meses tenha arrefecido para 3,81%, o dado mensal acima da mediana de 0,63% gera cautela sobre a condução da política monetária pelo Banco Central. Analistas apontam que a pressão inflacionária limita o espaço de atuação do Copom para o corte da taxa Selic na próxima semana. Atualmente, o mercado precifica uma redução de 0,25 ponto porcentual, o que levaria a taxa para 14,75% ao ano.
No cenário externo, o conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel atingiu um novo patamar de tensão. Ataques iranianos contra infraestruturas petrolíferas no Golfo Pérsico fizeram o barril do tipo Brent atingir a máxima de US$ 101,59 durante a madrugada.
Mesmo com a liberação de reservas emergenciais pela Agência Internacional de Energia (AIE), a commodity segue em forte valorização, subindo cerca de 7% na manhã de hoje. A instabilidade energética global contamina as bolsas de Nova York, onde o Nasdaq recua mais de 1,3%.
A queda do índice geral é acentuada pelo desempenho negativo de pesos-pesados e empresas que divulgaram resultados corporativos.
O governo federal deve anunciar ainda hoje medidas para conter o impacto da oscilação do diesel no mercado interno. A possibilidade de isenções fiscais gera preocupação adicional sobre o equilíbrio das contas públicas, aprofundando as perdas do Ibovespa.


