Inflação de fevereiro ficou em 0,70%, acima do previsto; pressão de serviços reforça expectativa de corte menor da Selic na próxima reunião do CopomInflação de fevereiro ficou em 0,70%, acima do previsto; pressão de serviços reforça expectativa de corte menor da Selic na próxima reunião do Copom

Economistas veem inflação resistente e cautela do BC após IPCA

2026/03/12 22:06
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A inflação oficial do Brasil ficou acima do esperado em fevereiro e reforçou a avaliação de economistas de que o BC (Banco Central) deve adotar cautela no início do ciclo de redução da Selic. 

O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) subiu 0,70% no mês, depois de 0,33% em janeiro, segundo dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta 5ª feira (12.mar.2026). Eis a íntegra (PDF – 452 kB).

O índice acumulou 1,03% em 2026 e 3,81% em 12 meses, abaixo dos 4,44% registrados no período imediatamente anterior, mas ainda com sinais de pressão em componentes relevantes da inflação. O resultado é acompanhado pelo mercado porque influencia as decisões de política monetária do Banco Central.

O Copom (Comitê de Política Monetária) se reunirá na próxima semana, nos dias 17 e 18 de março, para definir a nova taxa de juros.

O economista sênior da Genial Investimentos, Gabriel Pestana, disse que o índice ficou acima da projeção da instituição, de 0,66%, e também superou a expectativa do mercado. Segundo ele, a composição do dado mostrou deterioração qualitativa.

“O qualitativo apresentou uma deterioração na margem, com a pressão concentrada especialmente em serviços e nos núcleos”, afirmou.

Pestana declarou que houve pressão em itens como serviços bancários e conserto de automóveis.

Na avaliação do economista, o avanço dos núcleos e a resistência de serviços devem chamar a atenção do BC. Ele disse que o resultado fortalece apostas de um corte de 0,25 p.p. (ponto percentual) na Selic, em vez de 0,50 p.p.

A economista da SulAmérica Investimentos, Mariana Rodrigues, também disse que o resultado foi pior que o esperado. Segundo ela, a inflação de serviços seguiu pressionada e os itens que vinham ajudando a reduzir projeções para o índice anual não confirmaram esse movimento em fevereiro.

“A inflação de serviços permaneceu pressionada, enquanto alimentação no domicílio e bens industriais não confirmaram a tendência de alívio”, declarou.

Rodrigues afirmou que a instituição projeta inflação de 4,1% em 2026, mas disse que o cenário passou a ter viés de alta diante da pressão recente nos preços do petróleo provocada pela guerra no Oriente Médio.

O economista e conselheiro da Ancord (Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários, Câmbio e Mercadorias), Pablo Spyer, disse que o resultado também mostra resistência da inflação ligada à atividade doméstica. Segundo ele, a principal pressão veio do setor de serviços, com aumentos em itens como cursos, passagens aéreas e seguros.

Spyer afirmou que houve algum alívio em combustíveis depois da redução de preços promovida pela Petrobras nas refinarias no fim de janeiro. Mesmo assim, disse que o índice ainda não captura a recente alta do petróleo no mercado internacional.

“O petróleo voltou a rondar os US$ 100 por barril diante das tensões no Oriente Médio e interrupções no transporte marítimo”, declarou.

A economista do C6 Bank Claudia Moreno disse que o resultado também ficou acima da projeção da instituição, de 0,64%. Segundo ela, passagens aéreas e educação tiveram peso relevante no avanço do índice.

“O IPCA subiu 0,70% em fevereiro, um pouco acima do que projetávamos. Passagens aéreas e educação tiveram contribuição importante, enquanto alimentação no domicílio avançou 0,26% e a gasolina recuou 0,61%”, afirmou.

Moreno declarou que a inflação acumulada em 12 meses desacelerou em parte por efeito estatístico, já que a alta expressiva registrada em fevereiro de 2025 saiu da base de comparação. Mesmo assim, disse que os serviços subjacentes seguem em patamar elevado, com alta de aproximadamente 5,5% até fevereiro.

Segundo ela, essa diferença entre o índice cheio e os núcleos da inflação ajuda a explicar por que a convergência da inflação à meta ainda representa desafio para a política monetária.

A economista afirmou que o alívio recente do índice foi influenciado pela queda das commodities em reais, que reduziu a pressão sobre alimentos e bens industriais. Mesmo assim, disse que o cenário à frente ainda traz riscos.

Moreno declarou que o mercado de trabalho aquecido, a possibilidade de desvalorização do real e as tensões geopolíticas podem pressionar a inflação nos próximos meses. A projeção do C6 Bank é que o IPCA encerre 2026 em 4,5%.

Ela disse que o dado divulgado pelo IBGE não altera a avaliação de que o Copom deve iniciar o ciclo de redução dos juros de forma gradual.

“O Copom deve iniciar o ciclo de cortes com uma redução de 0,25 p.p. na Selic, para 14,75%. No nosso cenário, os juros devem terminar o ano em 12,5%”, declarou.

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