Um novo estudo sobre o desenvolvimento do cânhamo industrial na África do Sul projeta uma forte expansão a longo prazo, refletindo o crescente interesse em culturas alternativas, materiais de base biológica e novas cadeias de valor de fabrico. A investigação, divulgada pelo Departamento de Comércio, Indústria e Concorrência e apoiada por instituições públicas, indica que o mercado de cânhamo poderá expandir-se significativamente à medida que os quadros políticos e as estratégias de investimento amadurecem.
O relatório, desenvolvido através de colaboração com o Fundo de Apoio à Localização juntamente com a Presidência da África do Sul e a Corporação de Desenvolvimento Industrial, estima que a indústria doméstica de cânhamo poderá crescer de aproximadamente 7,3 mil milhões de rands em 2025 para cerca de 40,4 mil milhões de rands até 2040. Os analistas afirmam que esta trajetória reflete tanto a crescente procura global por produtos à base de cânhamo como a crescente integração do cânhamo em múltiplos sectores industriais.
O cânhamo industrial é cada vez mais visto como uma cultura versátil com aplicações no fabrico, construção, têxteis, processamento alimentar e produtos de saúde. Como resultado, os decisores políticos veem o sector como um potencial contribuinte para a diversificação industrial e o desenvolvimento económico rural.
O estudo destaca que as fibras de cânhamo podem apoiar a produção têxtil doméstica e materiais de construção sustentáveis. Entretanto, os produtos de sementes de cânhamo poderão fortalecer as cadeias de valor no processamento alimentar e produtos nutricionais. Portanto, o crescimento do sector poderá estimular múltiplos segmentos de fabrico enquanto expande a produção agrícola.
Além disso, os requisitos de água relativamente baixos da cultura e as propriedades de regeneração do solo alinham-se com objectivos de sustentabilidade mais amplos promovidos por instituições como o Banco Mundial. Estes atributos ambientais reforçam a relevância da cultura dentro de estratégias emergentes de economia verde.
A África do Sul tem aliviado gradualmente as restrições regulatórias sobre o cultivo de cânhamo nos últimos anos. Esta mudança reflete um esforço mais amplo para desbloquear a inovação agrícola enquanto apoia novas oportunidades de exportação e fabrico local.
A Corporação de Desenvolvimento Industrial também sinalizou interesse em apoiar cadeias de valor industriais ligadas ao processamento de cânhamo. De acordo com analistas, o investimento em instalações de processamento, produção de fibras e fabrico de produtos será crítico para capturar o crescimento projetado do sector.
Além disso, as tendências de procura internacional poderão apoiar ainda mais a expansão. Os mercados em toda a Ásia estão cada vez mais a explorar materiais de base vegetal e têxteis sustentáveis. Como resultado, os produtores africanos poderão encontrar oportunidades em mercados de exportação onde a procura por inputs de base biológica continua a aumentar.
Instituições regionais incluindo a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral também estão a promover a valorização agrícola e o processamento industrial. Dentro deste contexto, a industrialização do cânhamo poderá complementar esforços regionais mais amplos para aprofundar as cadeias de fornecimento agroindustriais.
Embora o sector permaneça numa fase inicial, o estudo sugere que uma abordagem política coordenada, combinada com investimento direcionado e participação dos agricultores, poderá permitir que o mercado de cânhamo da África do Sul evolua para um contribuinte significativo para o crescimento industrial nas próximas décadas.
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