O Atacadão e o Assaí lideraram as mudanças no mercado brasileiro de cash & carry nos últimos anos. Da expansão, antes mais restrita às zonas periféricas, para os grandes centros urbanos, às adaptações nas lojas, que, cada vez mais, passaram a ser o destino também de consumidores.
Apesar desse destaque, a dupla não está, claro, sozinha nesse espaço. E, em 2025, o mercado brasileiro do atacarejo abriu o espaço para que outros players também assumissem parte desse protagonismo: as grandes regionais.
Esse é, em resumo, o mote de um novo e extenso relatório do Itaú BBA sobre o setor, no qual o banco parte de diversos indicadores do ano passado para traçar as perspectivas para o setor. A começar pelo que chama de uma desaceleração drástica das expansões de lojas no período.
O levantamento mapeou 2.237 lojas de 138 players – contra 147, um ano antes -, com 114 inaugurações líquidas em 2025 (cerca de 10 por mês), o equivalente a uma redução de 31% em relação a 2024 – ano em que essa desaceleração havia ficado no patamar de cerca de 15%.
“Isso representa uma clara queda em relação ao ritmo de aproximadamente 22 inaugurações líquidas por mês observado entre 2021 e 2023, e reforça a mensagem de que o formato está definitivamente entrando em uma fase mais madura”, escreve o Itaú BBA.
O banco adiciona alguns ingredientes a esse carrinho. Entre eles, a expectativa de um mercado endereçável total de baixo crescimento, onde o retorno marginal sobre o capital investido será cada vez mais ditado pela intensidade da concorrência, tornando essencial o monitoramento de outros players.
Nesse contexto, os analistas do Itaú BBA destacam que a desaceleração em expansões observada em 2025 foi encampada justamente por nomes como Assaí e Atacadão, que pisaram no freio em função de prioridades como a redução de suas alavancagens.
Segundo o banco de investimentos, esse cenário contou ainda com o reforço de diversos players regionais em processo de reestruturação, como o Grupo Ricoy, que contribuíram com essa conta com fechamentos e vendas de lojas.
“Em contrapartida, as principais redes regionais (o subgrupo da 4ª a 10ª maior empresa) mantiveram seu ritmo, continuando a consolidar a liderança em seus principais estados, e as regionais menores também seguiram ativas”, observam os analistas.
O grupo incluído nesse Top 10 envolve nomes como Mart Minas, Muffato, Koch e Grupo Pereira. Além desse clube seleto, um dos nomes que aceleraram foi a Atakarejo, rede do Patria Investimentos, que abriu nove lojas na Bahia no ano passado, chegando a um total de 46 unidades.
Nesse mapa de expansão, as regiões Nordeste e Sul se destacaram, ao responderem por 63% do total de inaugurações líquidas em 2025. No Nordeste, a Bahia foi o principal mercado, com 44% das aberturas. Já no Sul, esse posto ficou com Santa Catarina, com um índice de 63% das inaugurações na região.
“Enquanto isso, São Paulo reforçou seu status como o campo de batalha mais maduro: apresentou um crescimento líquido modesto, mas um aumento acentuado no número de fechamentos, o que chamou nossa atenção como um possível sinal precoce de maior rotatividade e consolidação mais rápida no futuro, caso o padrão persista”, destacou o banco.
O Itaú também ressaltou que as cidades com menos de 100 mil habitantes voltaram a ser um foco, com 36% das aberturas – excluindo Assaí e Atacadão, após uma pausa em 2024. E que essa é uma mudança estrutural, dado que as oportunidades de crescimento em grandes centros urbanos seguem diminuindo.
“Com as 25 maiores empresas já presentes em todas as cidades acima de 500 mil habitantes e o espaço em branco em cidades de médio porte encolhendo, as cidades menores representam cada vez mais a próxima fronteira”, escrevem os analistas.
Em outra frente, o relatório aponta que houve uma aceleração na consolidação, com a participação das 25 maiores redes crescendo 1,5 ponto percentual no ano, para 77%. E que aqui, novamente, quem puxou a fila foram alguns “campeões regionais”, que subiram significativamente no ranking.
“Em resumo, a ‘história de expansão’ é cada vez mais uma história de líderes regionais consolidando mercados estratégicos, em vez de uma ampla expansão nacional”, diz outro trecho do relatório.
Diante dessas mudanças, o Itaú BBA frisa que o Assaí é quem está mais exposto à concorrência, dada a sua concentração nos principais mercados do setor, como São Paulo. Com a ressalva, porém, de que há uma desaceleração no número líquido de lojas rivais em um raio de 10 quilômetros da rede.
“Dito isso, o cenário competitivo marginal parece menos negativo”, dizem os analistas. “O número bruto de inaugurações conta apenas parte da história: ele reflete a disposição dos rivais em abrir perto do Assaí, mas não contabiliza os fechamentos”, afirmam os analistas.
Já para o outro player listado em bolsa do setor, o Grupo Mateus, do Nordeste, o Itaú BBA entende que a competição segue relativamente mais moderada, em função do foco da rede em cidades menores e na diversificação da sua presença.
As ações do Grupo Mateus recuavam 1,14% na B3 por volta das 12h55, dando à rede um valor de mercado de R$ 11,9 bilhões. Já os papéis do Assaí caíam 1,59% no mesmo horário. O grupo está avaliado em R$ 10,8 bilhões.


