O preço do XRP iniciou março com novo fôlego. Após atingir mínima próxima de US$ 1,27 em 28 de fevereiro, o token subiu quase 12%, alcançando US$ 1,43 antes de se estabilizar perto de US$ 1,36. Mesmo assim, a tendência ainda é fraca. A moeda acumula queda de cerca de 18% nos últimos 30 dias.
O preço segue comprimido em uma faixa definida. Logo acima, porém, há um grande obstáculo: mais de 2 bilhões de XRP em oferta concentrados perto de US$ 1,60. Pela primeira vez em meses, entretanto, as movimentações de ETF, o comportamento de investidores de longo prazo e a acumulação de grandes investidores começaram a convergir abaixo dessa barreira. Antes de abordar o potencial de rompimento, é preciso avaliar o risco envolvido.
Entre 6 de fevereiro e 2 de março, o XRP formou um topo mais baixo no gráfico diário. No mesmo período, o índice de força relativa (RSI), indicador que mede o vigor dos movimentos de preço, registrou um topo mais alto. Quando o preço atinge valor inferior, mas o RSI sobe, há uma divergência oculta de baixa. Esse padrão indica fragilidade estrutural e costuma anteceder correções.
Isso ajuda a explicar o comportamento repetido do preço do XRP entre US$ 1,43 e US$ 1,27. Até mesmo o pico em US$ 1,67, em 15 de fevereiro, foi rapidamente revertido pelas vendas. Vendedores atuaram de forma agressiva. O momento ainda não confirmou rompimento.
Ainda assim, apesar da divergência, o XRP não perdeu o suporte na base da faixa, próxima de US$ 1,27. Se o momento está enfraquecido, por que esse suporte se mantém? Para entender, é preciso ir além do gráfico.
O primeiro sinal de mudança de percepção já aparece nos dados de ETF do próprio XRP.
Fundos negociados em bolsa refletem o movimento institucional. Quando os fluxos líquidos são positivos, há entrada de capital no ativo. Se desaceleram, a demanda enfraquece. Março de 2026 começou com US$ 6,97 milhões em aportes líquidos. O valor parece reduzido, mas o contexto é relevante.
Janeiro registrou entrada de US$ 15,59 milhões. Fevereiro apresentou avanço, com US$ 58,09 milhões. Agora, nos primeiros dias de março, o XRP já captou quase 45% do total de janeiro. Isso demonstra que a presença institucional permanece, apesar das várias resistências enfrentadas pelo preço.
Ou seja, o capital está entrando.
No mesmo período, o comportamento on-chain reforça essa tendência. O indicador de atividade (liveliness) do XRP está diminuindo. Esse índice mede a relação entre moedas movimentadas e o total já criado. Quando sobe, há gastos de moedas antigas. Quando cai, investidores de longo prazo tendem a acumular.
Desde 11 de fevereiro, o indicador caiu de 0,815 para 0,813. Mais relevante, o número está próximo da mínima semestral. A última vez em que alcançou níveis semelhantes foi em meados de outubro, quando o token era negociado acima de US$ 2,30.
O mesmo perfil volta a se formar. Essa queda sugere que investidores de longo prazo estão reduzindo a oferta, sem vender em momentos de força. O retorno dos fluxos de ETF, aliado à inércia das moedas antigas, resulta em cenário favorável.
O capital institucional ingressa, investidores de longo prazo não liquidam suas posições e a oferta ativa diminui. Esse alinhamento sinaliza uma possível retomada de confiança nos bastidores. Contudo, apenas otimismo não rompe resistências. É necessário volume. Assim, a atenção se volta diretamente para a movimentação das grandes carteiras.
Dois grandes grupos de investidores aumentaram as compras em 1º de março. Carteiras com saldos entre 100 milhões e 1 bilhão de XRP elevaram suas posses de 7,39 bilhões para 8,59 bilhões. Já endereços com entre 10 milhões e 100 milhões passaram de 10,91 bilhões para 11,01 bilhões. No total, esses grandes investidores já adicionaram 1,30 bilhão.
Essas são grandes entidades capazes de absorver um volume expressivo de oferta. A acumulação ocorre logo abaixo de um importante agrupamento de resistência.
Dados de distribuição do preço de aquisição indicam que cerca de 2 bilhões de XRP foram acumulados entre US$ 1,58 e US$ 1,60. Essas informações refletem o valor médio pago pelos investidores ao adquirir os tokens. Quando o preço retorna a esses patamares, muitos tentam vender para sair no ponto de equilíbrio se a convicção diminuir, gerando pressão vendedora.
Isso explica a rejeição observada em fevereiro próximo de US$ 1,67, zona próxima ao agrupamento de oferta. Para ultrapassar US$ 1,60, compradores precisam absorver mais de 2 bilhões de XRP de oferta, algo que só será possível se baleias aumentarem participação.
Agora, a estrutura fica clara.
Fluxos institucionais começaram março de forma positiva, investidores de longo prazo não vendem e baleias ampliam exposição. Três forças se concentram abaixo de uma barreira.
Para força imediata, o preço do XRP deve fechar acima de US$ 1,43 e US$ 1,48, saindo da consolidação. O ponto decisivo permanece em US$ 1,60-1,61.
Um fechamento diário acima de US$ 1,61 sinalizaria que o agrupamento de 2 bilhões de XRP em oferta provavelmente foi absorvido, ou que as vendas não aconteceram de forma tão intensa. Se isso ocorrer, o token pode avançar até US$ 1,70, podendo alcançar US$ 2,16 em cenário de rompimento mais forte.
Pelo lado negativo, US$ 1,27 segue como suporte crucial. Os dados de preço médio mostram cerca de 443 milhões de XRP acumulados entre US$ 1,27 e US$ 1,28.
Esse suporte já defendeu o preço diversas vezes. Se US$ 1,27 for perdido, o XRP pode testar US$ 1,11.
Até que um desses níveis seja superado, o preço do XRP permanece entre compressão e expansão. Março começou positivo. Agora inicia o embate pelo rompimento.
O artigo XRP se prepara para enfrentar pressão de venda de US$ 2 bilhões foi visto pela primeira vez em BeInCrypto Brasil.


