Retrato do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, é exibido ao lado de bandeiras iranianas, velas e um livro de condolências em uma mesquita na Cida Retrato do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, é exibido ao lado de bandeiras iranianas, velas e um livro de condolências em uma mesquita na Cida

Meses de planejamento e decisão em cima da hora: os bastidores do ataque que matou o líder do Irã, Ali Khamenei

2026/03/02 02:22
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Retrato do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, é exibido ao lado de bandeiras iranianas, velas e um livro de condolências em uma mesquita na Cidade do Cabo — Foto: BBC News fonte Retrato do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, é exibido ao lado de bandeiras iranianas, velas e um livro de condolências em uma mesquita na Cidade do Cabo — Foto: BBC News fonte

O ataque que matou o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, não ocorreu no meio da noite, como se poderia esperar, mas no meio da manhã.

Isso aconteceu porque os Estados Unidos e Israel decidiram aproveitar uma informação crucial que havia chegado horas antes.

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Durante meses, eles estavam à espera de uma oportunidade em que figuras importantes do Irã pudessem estar reunidas e descobriram que Khamenei estaria em um complexo no centro de Teerã na manhã de sábado.

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Eles também tinham a localização de outras figuras importantes das forças armadas e da inteligência que se reuniriam no mesmo horário.

Durante meses, os EUA e Israel monitoraram os movimentos do líder supremo. Os métodos usados são secretos, embora o presidente americano, Donald Trump, tenha feito alusão a eles em uma publicação nas redes sociais.

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"Ele não conseguiu evitar nossa inteligência e nossos sistemas de rastreamento altamente sofisticados."

Isso pode ter sido uma fonte humana relatando informações, mas é mais provável que tenha sido um rastreamento técnico de indivíduos iranianos.

Trump e sua equipe monitoraram os acontecimentos de uma sala de guerra improvisada em Mar-a-Lago, na Flórida — Foto: BBC News fonte Trump e sua equipe monitoraram os acontecimentos de uma sala de guerra improvisada em Mar-a-Lago, na Flórida — Foto: BBC News fonte

Na guerra de 12 dias que aconteceu em junho de 2025, Israel teve como alvo cientistas e funcionários ligados ao programa nuclear iraniano e, segundo relatos, usou a infiltração em sistemas de telecomunicações e telefonia móvel para entender a movimentação de indivíduos.

Isso incluía, às vezes, o rastreamento dos movimentos de guarda-costas ligados a funcionários importantes.

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A longo prazo, isso pode ajudar a construir um "padrão de vida" para prever e entender atividades, bem como buscar momentos de vulnerabilidade.

O Irã sabia que o líder supremo estava na mira de seus inimigos e, ainda assim, a incapacidade de identificar e neutralizar essas vulnerabilidades nos meses seguintes sugere uma falha profunda na segurança e na contrainteligência iranianas — ou evidencia a capacidade de Israel e dos EUA de adaptar continuamente seus métodos para encontrar novas formas de rastreá-lo.

Os iranianos também podem ter calculado que um ataque diurno era menos provável.

sem descrição — Foto: BBC News fonte sem descrição — Foto: BBC News fonte

Neste caso, segundo o jornal New York Times, a informação veio da CIA, mas foi repassada a Israel para que realizasse o ataque.

Há indícios de que existe uma divisão de trabalho, com Israel priorizando os ataques contra alvos da liderança do Irã e os EUA contra os alvos militares.

A informação forneceu conhecimento prévio suficiente sobre os movimentos do líder supremo e de outros oficiais para que fosse possível planejar um ataque usando aviões capazes de disparar mísseis de longo alcance.

Em vez de um ataque isolado para decapitar o líder, o plano era que este ataque sinalizasse o início de uma campanha mais ampla, e ele foi antecipado para aproveitar a janela de oportunidade.

Os caças israelenses podem levar cerca de duas horas para chegar a Teerã, mas não está claro de que distância eles são capazes de disparar suas munições.

Quando a decisão foi tomada, os jatos israelenses teriam usado 30 bombas para atacar o complexo por volta das 9h40 do horário local.

Isso pode ter acontecido porque o líder supremo ainda utilizava um bunker subterrâneo abaixo do complexo para sua proteção, embora não fosse um dos mais profundos do regime.

Pode ter sido necessário o uso de múltiplas munições para atingir o alvo a uma profundidade suficiente.

Outros locais na capital iraniana também foram atingidos, incluindo o gabinete do presidente Masoud Pezeshkian, que posteriormente divulgou um comunicado afirmando estar em segurança.

A morte de três funcionários de alto escalão da defesa iraniana foi confirmada pelo Irã: o secretário do Conselho de Defesa, Ali Shamkhani; o ministro da Defesa, brigadeiro-general Aziz Nasirzadeh; e o comandante da Guarda Revolucionária Islâmica, general Mohammad Pakpour.

Quando os jatos atingiram o alvo, era madrugada em Mar-a-Lago, na Flórida, onde o presidente Trump estava reunido com alguns de seus principais assessores para acompanhar os acontecimentos.

Levaria horas até que a confirmação da morte do líder supremo fosse divulgada.

O Irã, no entanto, estava preparado para essa possibilidade, com relatos de que planos de sucessão não apenas para Khamenei, mas também para diversos outros altos funcionários, já haviam sido elaborados.

Isso significa que ainda não está claro qual será o impacto desse assassinato no curso do conflito.

Programa nuclear e 'oportunidade única'

Os novos ataques ao Irã acontecem após semanas de negociações entre Washington e Teerã na tentativa de fechar um acordo sobre o programa nuclear iraniano.

Em pronunciamento sábado, o presidente americano, Donald Trump, disse que o Irã "tentou reconstruir seu programa nuclear e continua desenvolvendo mísseis de longo alcance".

Trump disse ainda que os EUA vão reduzir a indústria de mísseis do Irã a pó e "aniquilar" sua Marinha.

O presidente instou os iranianos a usarem o momento para derrubar o regime clerical do país.

"Quando terminarmos, tomem o poder. Será de vocês. Esta será provavelmente a única chance que terão por gerações", declarou.

O mandatário também disse aos membros das forças de segurança iranianas que receberiam "imunidade" se depusessem as armas. Caso contrário, "enfrentariam morte certa".

O presidente israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que "um regime terrorista assassino" não deve possuir armas nucleares "que lhe permitam ameaçar toda a humanidade".

"Agradeço ao nosso grande amigo, o presidente Donald Trump, por sua liderança histórica", acrescentou.

Para o analista Jeremy Bowen, editor da BBC com ampla experiência na cobertura do Oriente Médio, Israel e Estados Unidos calcularam que o regime islâmico no Irã está vulnerável, lidando com uma grave crise econômica, as consequências da repressão brutal a manifestantes no início do ano e as defesas ainda enfraquecidas após os ataques sofridos em junho de 2025.

Os presidentes americano e israelense concluíram que esta era uma oportunidade que não deveria ser desperdiçada.

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