O Ethereum voltou ao centro das discussões depois que Vitalik Buterin descreveu, de maneira direta, o novo rumo tecnológico da rede. Ele apresentou duas fases bem distintas, e a distância entre elas chamou atenção até de quem acompanha o ecossistema todos os dias.
Mesmo assim, o fundador destacou que cada avanço segue um mapa claro e totalmente estruturado. Ele afirmou que o plano técnico não é improvisado, mas sim uma sequência lógica que prepara o protocolo para um salto ainda maior.
A atualização Glamsterdam chega com mais complexidade do que o nome leve sugere. Logo no início, Buterin destacou três mudanças que atuam em conjunto e alteram profundamente a forma como o Ethereum processa dados. As listas de acesso em nível de bloco surgem primeiro e permitem que os blocos sejam verificados em paralelo, removendo uma limitação que freou o throughput da rede por anos.
Ao mesmo tempo, o ePBS redefine o uso do tempo de slot e amplia drasticamente a janela segura dedicada à verificação. Assim, a rede passa a validar blocos com mais folga, o que reduz gargalos técnicos e cria espaço para maior eficiência. A combinação dessas peças aumenta o que o Ethereum consegue processar por bloco sem qualquer perda de segurança.
No entanto, o ponto que mais chama atenção aparece na terceira mudança, o gás multidimensional. A partir dele, a rede separa o custo de criação de estado dos custos tradicionais de execução. Hoje, tudo depende de uma única dimensão de gás. No novo modelo, a escrita de estado ganha um limite próprio, e isso impede que o inchaço estrutural da blockchain prejudique as transações comuns.
Buterin explicou que o novo gás de criação de estado deixará de pesar sobre o limite atual, próximo de 16 milhões de gás. Dessa forma, contratos maiores se tornam possíveis sem sufocar o restante da rede, algo que desenvolvedores pedem há anos. Porém, o desafio de compatibilidade com a EVM continua real. Instruções como GAS e CALL ainda assumem uma única dimensão de gás, e a solução envolve um “reservatório” capaz de manter retro compatibilidade enquanto usa as novas dimensões sempre que possível.
Mais adiante, o roteiro mira dois pilares de longo prazo. O PeerDAS busca atingir cerca de 8 MB/s em taxa de blobs, ritmo que atende todo o ecossistema de segunda camada sem transformar o Ethereum em um provedor global de dados. Paralelamente, a adoção da ZK-EVM avança de forma lenta e contínua, com a meta de validar blocos inteiros por provas de conhecimento zero, eliminando a necessidade de reexecução manual pelos validadores.
No ponto final dessa trajetória, a rede aposta em validação com múltiplas provas, que une métodos como ZK-proofs e verificação formal. A ideia depende de um nível de maturidade em segurança que ainda não existe, mas já aparece no horizonte como destino natural do ecossistema.
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