O Nubank (ROXO34) registrou lucro líquido de US$ 894,8 milhões no quarto trimestre de 2025, montante 50% maior na comparação com o ano anterior, desconsiderando a variação cambial, e alta de 13% em relação ao terceiro trimestre.
No acumulado de 2025, o lucro líquido somou US$ 2,87 bilhões, crescimento de 51%, enquanto o lucro bruto totalizou US$ 6,6 bilhões no ano fiscal, acima dos US$ 5 bilhões registrados em 2024.
O diretor-financeiro do Nubank , Guilherme Lago, afirma que o aumento no lucro foi impulsionado pelo maior número de clientes, pelo crescimento da receita por cliente ativo e pela estabilidade no custo de servir. “Isso traz uma alavancagem positiva com relação à receita”, disse.
Apesar dos números, as ações da Nu Holdings caíram 5,5% nas negociações pós-mercado em Nova York, com analistas levantando questionamentos sobre os custos da instituição.
Às 12h34 (horário de Brasília), a queda das ações da NU holding era mais intensa em Nova York, de 8,74%, a US$ 15,20, enquanto os papéis ROXO34 caíam 5,13% na B3, cotados a R$ 13,31.
Segundo Lago, o Nubank conquistou mais clientes em 2025 do que os cinco maiores bancos incumbentes juntos e se tornou a segunda maior instituição em número de usuários, atrás apenas da Caixa.
O Nubank encerrou o ano com 131 milhões de clientes, crescimento de 3% no quarto trimestre e de 15% em 12 meses. Foram 17 milhões de novas adições no ano.
A distribuição da base é a seguinte: 113 milhões no Brasil, 14 milhões no México e 4 milhões na Colômbia.
A receita no quarto trimestre foi de US$ 4,85 bilhões, avanço de 11% em três meses e de 45% em 12 meses.
O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE), indicador que mede a capacidade de gerar lucro com recursos próprios, ficou em 33% no quarto trimestre, ante 29% no mesmo período do ano anterior.
No balanço, o fundador e CEO global, David Vélez, declarou: “No quarto trimestre de 2025, aumentamos nossa escala, aprofundamos o engajamento e expandimos a lucratividade, encerrando o ano com 131 milhões de clientes e 17 milhões de novas adições, enquanto o Arpac [receita média por cliente ativo] atingiu US$ 15. O forte engajamento e a maior monetização impulsionaram receitas trimestrais recordes de US$ 4,9 bilhões”.
A carteira de crédito total atingiu US$ 32,7 bilhões, alta de 11% em três meses e de 40% em um ano.
Do total, 67% correspondem a cartão de crédito, 25% a crédito sem garantia e 8% a crédito com garantia.
A inadimplência acima de 90 dias ficou em 6,6%, ante 6,7% no trimestre anterior e no mesmo período de 2024, queda de 0,1 ponto percentual na base anual.
Já a inadimplência de curto prazo (15 a 90 dias) foi de 4,1%, contra 4,3% no trimestre anterior e 4,2% um ano antes.
Em teleconferência com analistas, Lago afirmou que as taxas de inadimplência costumam subir no primeiro trimestre devido à “sazonalidade natural”, movimento que o banco espera observar novamente neste ano.
A margem financeira líquida, que representa a diferença entre o que o banco ganha com empréstimos e o que paga para captar recursos, foi de 10,5% no trimestre, ante 10,8% no terceiro trimestre e 9,9% no quarto trimestre de 2024.
Segundo a companhia, a estabilidade no custo de servir contribuiu para o ganho de escala.
A fintech informou que avançou em seu modelo orientado por inteligência artificial com a implementação do nuFormer na concessão de crédito no Brasil.
Segundo o banco, isso impulsionou o maior ganho trimestral em participação no mercado de cartões de crédito em dez trimestres. O Pix com IA superou 10 milhões de usuários ativos mensais.
O Nubank deve apresentar até o fim de março um plano ao Banco Central (BC) sobre o uso do termo “bank” no nome, após a autoridade proibir instituições sem licença bancária de utilizarem a expressão.
A companhia avalia pedir uma licença do zero ou adquirir um banco pequeno. “Ainda não sabemos qual dessas opções vai ser. Estamos avaliando oportunidades de aquisição no Brasil, mas não tem nada mais avançado.”
Segundo Lago, a licença bancária não deve ter impacto significativo em termos de capital ou exigências regulatórias.
Nos Estados Unidos, o Nubank informou no mês passado que recebeu aprovação condicional do Escritório do Controlador da Moeda (OCC) para estabelecer um banco nacional no país.
Ainda será necessário cumprir exigências adicionais e obter aprovação da Corporação Federal de Seguros de Depósitos (FDIC) e do Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano.
O banco espera capitalizar a operação em até 12 meses e iniciar atividades em até 18 meses. Segundo Lago, a licença não deve sair no primeiro semestre. “Pelo tempo médio que esse tipo de aprovação leva, seria mais para 2027″.
O Nubank obteve em janeiro a primeira das três aprovações regulatórias necessárias para entrar no mercado norte-americano no próximo ano.
Em teleconferência, Vélez afirmou que o mercado bancário dos EUA é competitivo, mas que existem oportunidades em determinadas subáreas.
Analistas do JPMorgan Chase afirmaram que o lucro líquido ficou acima das expectativas da instituição e do mercado, mas observaram que isso ocorreu principalmente devido a uma taxa de imposto inferior à prevista.
Segundo o banco, “o que pode ser o principal argumento dos investidores pessimistas, mesmo que a maioria dos indicadores operacionais pareça boa”.
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