Em entrevista ao “Roda Viva”, Tatiana Sampaio afirma que o único efeito negativo da perda da patente internacional foi desacelerar a pesquisaEm entrevista ao “Roda Viva”, Tatiana Sampaio afirma que o único efeito negativo da perda da patente internacional foi desacelerar a pesquisa

Perda de patente da polilaminina não prejudicou Brasil, diz cientista

2026/02/24 14:19
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A pesquisadora da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) que descobriu a polilaminina, Tatiana Sampaio, disse na 2ª feira (23.fev.2026) que a perda da patente internacional da substância não representou um prejuízo para o Brasil. Segundo ela, caso a proteção tivesse sido mantida e negociada com uma empresa farmacêutica estrangeira, a maior parte dos lucros obtidos pela descoberta teria ficado fora do país.

O único efeito negativo foi que talvez tenha desacelerado o processo [de pesquisa]. Exceto por isso, eu diria que foi melhor assim, porque agora vai produzir [polilaminina] no Brasil e vai ser uma coisa brasileira”, afirmou a pesquisadora em entrevista ao programa “Roda Viva“, da TV Cultura. “Além disso, a riqueza gerada por essa descoberta não reverteria para a UFRJ, nem para o Brasil”, declarou.

Tatiana disse ter sido imprecisa em declarações anteriores sobre o tema da perda da patente internacional. A pesquisadora afirmou que, em 2014, a UFRJ avaliou tecnicamente que não valeria a pena continuar pagando as taxas dos pedidos de patente nos Estados Unidos e na Europa, por entender que eles não seriam concedidos. A decisão, comunicada à pesquisadora, foi a de suspender os pagamentos. Uma escolha com a qual ela disse não concordar, mas que não cabia a ela tomar.

Em 2016, a Agência de Inovação da UFRJ a informou que não havia recursos para pagar a anuidade da patente brasileira, ainda vigente, e perguntou se ela gostaria de arcar com o custo. Tatiana disse que aceitou e pagou um boleto de cerca de R$ 500. A patente no Brasil foi, então, mantida.

Segundo a pesquisadora, o laboratório Cristália, que investe na pesquisa de Tatiana desde 2018, contratou um escritório de advocacia especializado em patentes para verificar se ainda era possível recuperar a validade internacional, mas a conclusão foi negativa. O prazo para reativação já havia expirado.

O QUE É A POLILAMININA?

A polilaminina é a versão sintetizada em laboratório da laminina, proteína que o corpo humano produz em grandes quantidades durante a fase embrionária e que é extraída de placentas.

Em termos mais simples, a laminina atua na organização e no crescimento de tecidos neuronais, em especial dos axônios -que são as “pontes biológicas” que permitem que impulsos elétricos circulem entre um neurônio e outro ou até um músculo. A transmissão elétrica é interrompida quando há uma lesão medular.

Se comprovada eficaz, a polilaminina, ao ser injetada no espaço onde houve o rompimento dos tecidos, permitiria “recriar” a ponte entre os neurônios localizados acima e abaixo da lesão. Assim, eles voltariam a se comunicar e restabeleceriam o fluxo de impulsos elétricos que comandam movimentos e sensações e transmitem informações como dor, temperatura e toque.

O estudo de Tatiana contou com 8 pacientes com lesão medular completa (com chance de melhora de apenas 10%). Seis recuperaram algum tipo de movimento depois de receber o tratamento com a substância. Um dos pacientes, Bruno Drummond, voltou a andar.

Ainda que impressionante, o medicamento não possui registro e está na fase 1 do estudo clínico, liberado em 5 de janeiro pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Para ter acesso ao tratamento, pacientes têm recorrido à Justiça.

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