O mercado de criptomoedas registrou quedas significativas nas últimas 12 horas, com o Bitcoin caindo 2,48% para US$ 67.169 e o Ethereum recuando 1,18% para US$ 1.977. A volatilidade reflete um cenário macroeconômico desafiador, marcado por aversão global ao risco e cautela das autoridades monetárias.
O Bitcoin caiu abaixo de US$ 67.000 na madrugada de 18 de fevereiro, negociando a US$ 66.913 às 01:34 UTC. A criptomoeda acumula perdas de aproximadamente 28% em fevereiro, após rejeições múltiplas no nível de US$ 70.000. Analistas apontam que o próximo suporte crítico está em torno de US$ 60.000, com alguns cenários extremos sugerindo possível queda até US$ 54.000.
A volatilidade implícita de 30 dias do Bitcoin caiu para 52% em termos anualizados, revertendo o pico do início do mês quando atingiu quase 100%. Essa diminuição sugere que o pânico diminuiu e a desalavancagem está perdendo força, indicando certa estabilização após período de maior turbulência.
Múltiplos fatores contribuem para a pressão vendedora no mercado cripto:
O desempenho negativo não se limita ao Bitcoin. XRP e Hyperliquid recuaram 2% cada, enquanto Dogecoin caiu 2,8%. Apenas alguns tokens como MemeCore (+6,6%) e Pi Network apresentaram ganhos, impulsionados por acumulação de investidores institucionais.
Em contraste com a pressão de preços, o cenário regulatório para criptomoedas está evoluindo positivamente. A SEC está acelerando a regulamentação formal, migrando de uma abordagem punitiva para diretrizes claras. O presidente da SEC, Paul Atkins, destaca a necessidade de aprovação congressional para a “Clarity Act” na primavera de 2026, que definiria quando tokens digitais se qualificam como valores mobiliários.
O presidente Donald Trump confirmou que um projeto de lei completo sobre a estrutura do mercado cripto está próximo de ser aprovado. Além disso, o Federal Reserve abriu “master accounts reduzidas” em fevereiro para empresas cripto acessarem o sistema bancário central, apesar de oposição de bancos tradicionais.
A volatilidade do mercado cripto ocorre em um contexto de fragmentação geopolítica global. A economia mundial deverá crescer 3,1% em 2026, mas sob um entorno de alta fragilidade e incerteza. A competição estratégica entre EUA e China, aliada a tensões geopolíticas, está redefinindo como capital, bens e energia fluem globalmente.
Neste cenário, as criptomoedas ganham relevância como alternativa em contextos de instabilidade financeira e fragmentação tecnológica. A geoeconomia tornou-se a realidade operacional das grandes potências mundiais, com políticas comerciais, subsídios industriais e tarifas funcionando como ferramentas diplomáticas.
Analistas indicam que o Bitcoin deve se manter em uma faixa entre US$ 67 mil e US$ 71 mil pelos próximos dias, com cautela de touros e ursos mantendo o mercado em equilíbrio. A divulgação das atas do FOMC e o lançamento da atualização Saturn One da Rocket Pool são eventos importantes a monitorar.
Investidores de longo prazo mostram sinais de enfraquecimento em acumulações, com dados apontando para US$ 54 mil como próximo suporte potencial. A probabilidade de a taxa do Fed permanecer inalterada em março é de 90%, o que pode oferecer alguma previsibilidade ao mercado.
O mercado de criptomoedas enfrenta um período de consolidação, com pressões de curto prazo equilibradas por perspectivas regulatórias positivas. Enquanto a volatilidade persiste, a aprovação iminente de legislação cripto nos EUA e a abertura do sistema bancário central para empresas cripto sinalizam uma mudança estrutural no setor. Investidores devem monitorar atentamente os desenvolvimentos regulatórios e macroeconômicos nos próximos meses.


