O RioPrevidência, que vem sendo investigado pelos investimentos feitos no Banco Master, perdeu dinheiro com o fundo Arena, destinado a investimentos em títulos públicos. Dos quatro fundos do Master nos quais a previdência do Estado do Rio de Janeiro investiu entre 2024 e 2025, este foi o que recebeu o maior volume de aportes.
De acordo com dados do Cadprev obtidos pelo NeoFeed via Lei de Acesso à Informação, o RioPrevidência investiu R$ 1,371 bilhão, divididos em 16 aportes. O RioPrevidência atuou praticamente como o único cotista do fundo até o cancelamento de seu registro, em 11 de dezembro de 2025, quase um ano após o primeiro aporte, realizado em 19 de dezembro de 2024.
Até outubro do ano passado, o investimento vinha dando um retorno negativo de R$ 12,87 milhões para o principal regime de previdência da instituição.
Segundo apuração do NeoFeed, a data e o valor dos aportes coincidem com todas as captações registradas pelo fundo junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A exceção é um aporte de R$ 100,283 milhões que o RioPrevidência informou ter feito em 2 de maio de 2025.
Nesse dia, não foram registradas novas entradas no fundo, mas, em 28 de abril – dia em que o RioPrevidência não registrou aportes no fundo –, foi registrada a entrada de R$ 100 milhões, R$ 283 mil a menos do que o RioPrevidência informou ter investido.
No acumulado desde o início, o fundo rendeu 6,97%, equivalente a 50,50% do CDI do período, segundo dados do Mais Retorno. A rentabilidade acumulada do fundo em 2025 foi de 9,19%, equivalente a 68,4% do CDI. O Itaú Soberano RF Simples, outro fundo investido pelo RioPrevidência com propósito semelhante, rendeu 99,45% do CDI.
Parte da diferença de rentabilidade se deve ao fato de que, embora tivesse permissão, a gestão do Arena não fez hedge nas posições indexadas ao IPCA, absorvendo a volatilidade das NTN-Bs da carteira. Até julho, 96% da carteira era composta de títulos públicos atrelados à inflação e 4% em Tesouro Selic.
Outro ponto determinante para o RioPrevidência ter perdido dinheiro em um fundo de títulos públicos foi os custos. Embora tivesse um único cotista que, na soma dos aportes, colocou mais de R$ 1 bilhão, o fundo cobrava 0,35% ao ano de taxa de administração e 0,15% de taxa de custódia, que eram destinadas ao Master. Entre dezembro de 2024 e julho de 2025, esses gastos somaram R$ 526 mil.
Mas esses não eram os únicos custos do fundo. Também foi fixada uma taxa de gestão de 0,25% ao ano e mais 10% de performance sobre o que superasse 10% da Selic, destinada à Arena Capital, gestora do Rio de Janeiro que fazia a gestão do fundo. O fundo era o maior da grade da Arena Capital, que, segundo dados da Anbima, terminou 2025 com R$ 678,45 milhões sob gestão.
Como resultado, até julho do ano passado, os gastos com a taxa de gestão estavam em R$ 697 mil e, com a taxa de performance, em R$ 1,271 milhão – mesmo com a performance aquém do desejado.
A cobrança de taxas de performance não é comum em fundos destinados exclusivamente a investimentos em títulos públicos. Mesmo quando há cobrança, o padrão é utilizar 100% do CDI como benchmark, e não 10% da Selic. O fundo Itaú Soberano, por exemplo, cobra apenas 0,15% de taxa de administração.
Segundo os dados diários do fundo Arena, cerca da metade do patrimônio do fundo foi retirada em outubro de 2025. O resgate final ocorreu em 10 de dezembro, com o saque de R$ 582,509 milhões. O encerramento do fundo, de acordo com a CVM, aconteceu por decisão dos cotistas.
O investimento no fundo Arena vinha sendo questionado pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro. Em 29 de outubro, a menos de dois meses do encerramento do fundo, o Comitê de Investimentos do RioPrevidência registrou em ata que, apesar dos questionamentos, o fundo vinha “pagando grande parte da folha desse mês, o que tem sido de grande valia para o RP nesse momento em que os royalties deixaram de ser repassados integralmente”.
“O fundo Arena, por exemplo, é administrado pelo Master e tem performado muito bem”, diz a ata do Comitê de Investimentos, então comandado pelo diretor de investimentos substituto Pedro Pinheiro Guerra Leal. Guerra Leal foi exonerado em dezembro – mesmo mês em que o fundo foi cancelado – por manter investimentos em produtos do Master.
Procurados, o RioPrevidência, o Master e a Arena Capital não se manifestaram até a publicação desta reportagem.


