O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta 2ª feira (9.fev.2026) um investimento de R$ 1,4 bilhão para ampliar a capacidade produtiva de vacinas e insumos biológicos do Instituto Butantan. O anúncio foi realizado durante visita presidencial à instituição em São Paulo. Os recursos serão destinados à construção de duas novas fábricas e modernização de outras duas unidades existentes.
O aporte financeiro integra o Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) Saúde e busca garantir maior autonomia nacional na fabricação de soros e imunizantes.
Durante a visita, Lula estava acompanhado de:
O evento também marcou o início da vacinação contra a dengue com a Butantan-DV para profissionais de saúde da Atenção Primária em todo o Brasil. A estratégia utiliza uma vacina desenvolvida integralmente pelo Instituto Butantan.
A imunização contra a dengue beneficiará 1,2 milhão de trabalhadores que atuam na linha de frente do SUS (Sistema Único de Saúde). No Estado de São Paulo, 216 mil profissionais receberão a vacina. As autoridades já distribuíram 650 mil doses aos estados brasileiros e planejam entregar o restante nas próximas semanas.
Do montante total anunciado, R$ 76,1 milhões serão aplicados na nova plataforma de produção de vacinas de RNAm, tecnologia que instrui o sistema imunológico a combater agentes infecciosos. A unidade de produção da vacina DTPa (contra difteria, tétano e coqueluche) receberá R$ 550,7 milhões, com capacidade estimada de 6 milhões de doses anuais.
A fábrica para produção da vacina contra HPV (Papilomavírus Humano) contará com investimento de R$ 495,9 milhões. Esta unidade terá capacidade para produzir 20 milhões de doses por ano, reduzindo a dependência brasileira de imunobiológicos importados.
O governo destinará R$ 232,5 milhões para a unidade de produção de soros e área multipropósito. Inicialmente, esta instalação produzirá 1,2 milhão de frascos de soro concentrado anualmente. Após a conclusão da reforma, a capacidade aumentará para 5,5 milhões de frascos de soro líquido por ano e 440 mil frascos de soros e vacinas liofilizadas.
O Ministério da Saúde adquiriu 3,9 milhões de doses da vacina contra dengue, com investimento federal de R$ 368 milhões. Uma parceria entre Brasil e China, com transferência de tecnologia para a empresa WuXi Vaccines, poderá multiplicar a produção em até 30 vezes.
O plano estima a expansão da vacinação contra a dengue para pessoas de 15 a 59 anos no 2º semestre de 2026, começando pelos grupos etários mais velhos.
Atualmente, o Instituto desenvolve 14 projetos de Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo e do Programa de Desenvolvimento e Inovação Local. No âmbito do Novo PAC, a instituição possui 10 projetos, sendo oito com investimentos diretos do Ministério da Saúde.
O Governo Federal destina R$ 15 bilhões para o desenvolvimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde. Desde 2023, foram firmadas 31 novas parcerias para o desenvolvimento de vacinas, medicamentos e insumos estratégicos para a saúde dos brasileiros.
O Instituto Butantan participa ativamente da política federal de fortalecimento do setor. A instituição produz a maioria dos soros hiperimunes utilizados no Brasil contra venenos de animais peçonhentos, toxinas bacterianas e o vírus da raiva, além de responder por grande volume da produção nacional de antígenos vacinais.
Padilha afirmou que o Instituto Butantan foi alvo de campanhas de desinformação e negacionismo durante a pandemia de covid-19. “Atacaram com fake news dizendo que quem tomasse a vacina ia virar jacaré ou teria um chip. A vacina do Butantan já tem mais de 50 mil pessoas que tomaram e ninguém virou jacaré”, declarou. O ministro criticou a postura do governo dos Estados Unidos. “Infelizmente hoje o Trump lidera um governo antivacina e negacionista. Ele chegou a rasgar um contrato com uma empresa dos Estados Unidos que tinha acordo para produzir a vacina de RNA mensageiro.
Cortaram financiamentos e perseguiram pesquisadores que desenvolviam a vacina. Inventaram várias teses conspiratórias para impedir a produção da vacina de RNA mensageiro”, afirmou. Sobre a resposta brasileira, Padilha destacou: “A nossa resposta não é brigar. Pegamos as 2 melhores instituições públicas do SUS e construímos aqui no Brasil plataformas industriais de vacina de RNA mensageiro, garantindo pesquisa e produção e preparando o país para futuras pandemias“. O ministro afirmou que a pandemia “mostrou que a soberania de um país também se consolida a partir do esforço da saúde, da nossa capacidade de produzir, desenvolver e inovar aqui ou em parceria com outros países do mundo“.


