Presidente defende multilateralismo e rejeita alinhamento automático a grandes potências durante anúncio de R$ 1,4 bi para o ButantanPresidente defende multilateralismo e rejeita alinhamento automático a grandes potências durante anúncio de R$ 1,4 bi para o Butantan

“Não quero ser melhor que os EUA ou a China”, diz Lula

2026/02/10 01:42
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta 2ª feira (9.fev.2026) que o Brasil rejeita a lógica do unilateralismo nas relações internacionais e não busca supremacia sobre outros países. 

“O unilateralismo imposto pela teoria do que é o mais forte pode tudo quanto mais claro, a nós não me interessa. Eu não quero ter supremacia sobre o Uruguai. Eu não quero ter supremacia sobre a Bolívia. Mas também não quero ser melhor que os Estados Unidos ou que a China”, afirmou durante discurso no Instituto Butantan.

Segundo Lula, o Brasil não deve se alinhar automaticamente a disputas entre grandes potências e deve tomar decisões com base em seus próprios interesses. “Eu não estou escolhendo entre China e Estados Unidos, eu estou escolhendo aquilo que é melhor para o nosso país”, afirmou.

A defesa do multilateralismo é um eixo recorrente da política externa de Lula desde o início do atual mandato. O presidente tem repetido esse posicionamento em discursos na ONU, encontros multilaterais e eventos internacionais, nos quais critica o avanço do unilateralismo e defende a cooperação entre Estados como resposta a crises globais.

No discurso no Butantan, Lula voltou a associar o multilateralismo à estabilidade internacional construída no pós-Segunda Guerra Mundial. “Nós temos que provar no debate político que foi o multilateralismo depois da Segunda Guerra Mundial que criou uma harmonia entre os estados e que permitiu que a gente vivesse em paz até agora, pelo menos numa parte do mundo”, disse.

Ele também citou a cooperação internacional na área da saúde como exemplo prático dessa estratégia. “E se a China aceita fazer uma parceria conosco na produção de vacina, e vai produzir a quantidade que ainda a gente não tem condições de produzir, por que não fazer um convênio com a China e produzir vacina para a gente atender a quem precisa de uma vacina?”, afirmou.


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O INVESTIMENTO

Nesta 2ª feira (9.fev), o governo assinou o investimento de R$ 1,4 bilhão para ampliar e modernizar a produção de vacinas e soros no Instituto Butantan. Da verba, R$ 1 bilhão é um aporte do Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e R$ 400 milhões são do Instituto Butantan.

Assista à cerimônia (1h04min25s): 

A verba será destinada para: 

  • construção de uma fábrica de vacina contra o HPV (Papilomavírus Humano) –um dos causadores do câncer de colo de útero;
  • reforma da unidade de produção de vacinas com a tecnologia de RNA mensageiro;
  • construção de uma nova fábrica para a produção do IFA (Insumo Farmacêutico Ativo) para a vacina contra tétano, difteria e coqueluche;
  • reforma do prédio de produção de soro;
  • criação de uma nova área de envase e liofilização de soro;

Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o investimento coloca o instituto “entre os maiores complexos de inovação e tecnologia industrial do mundo”

O evento também marca o início da vacinação em profissionais da saúde contra a dengue com a vacina desenvolvida pelo instituto –a Butantan-DV. Segundo o Ministério da Saúde, 3,9 milhões de doses do imunizante foram adquiridas para a 1ª fase da campanha. Há a previsão de distribuição da vacina em todas as regiões do Brasil. 

Eis as autoridades presentes: 

  • presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT);
  • ministro da Saúde, Alexandre Padilha;
  • vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB); 
  • ministro da Casa Civil, Rui Costa;
  • ministro da Fazenda, Fernando Haddad;
  • ministro da Secretaria-Geral, Guilherme Boulos;
  • ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Márcio França;
  • ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira;
  • secretário do Estado da Saúde, Eleuses Paiva;
  • diretor do Instituto Butantan, Esper Kallás;
  • presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Leandro Safatle;
  • diretor-executivo da Fundação Butantan, Saulo Nacif.
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