O mercado de criptomoedas enfrenta uma das piores volatilidades de sua história em fevereiro de 2026. Bitcoin, a maior criptomoeda do mundo, despencou para aproximadamente US$ 60 mil em 5 de fevereiro, representando uma queda devastadora de 40 a 50% desde seu pico de US$ 126 mil em outubro de 2025. Ethereum também sofreu impactos significativos, com o índice de medo e ganância cripto (CFGI) atingindo níveis de pânico extremo comparáveis ao caos de 2022.
Após o colapso de 5 de fevereiro, Bitcoin recuperou-se para acima de US$ 68 mil a US$ 71 mil nos dias seguintes, registrando ganhos de 3 a 3,5% nas últimas 24 horas. Ethereum avançou 4,2% para US$ 2.127. No entanto, analistas alertam que essa recuperação pode ser apenas um “rebote de gato morto” (dead cat bounce), com possível suporte real em torno de US$ 50 mil se a pressão de venda persistir.
A análise técnica aponta resistência em US$ 72 mil a US$ 74 mil e suporte crítico em US$ 52 mil a US$ 53 mil. Traders debatem se o mercado já tocou o fundo ou se há mais quedas pela frente.
A volatilidade extrema resulta de uma perfeita tempestade de fatores macroeconômicos e geopolíticos:
Entre 31 de janeiro e 6 de fevereiro, o mercado cripto registrou liquidações de US$ 6,5 bilhões em posições longas. Os ETFs spot de Bitcoin (como FBTC e ARKB) sofreram saídas de US$ 387 milhões, enquanto a Binance, maior exchange de criptomoedas do mundo, viu saídas de US$ 7 bilhões.
Apesar das quedas, empresas públicas mantêm posições robustas, com mais de 1,12 milhão de BTC em carteiras corporativas, sinalizando confiança de longo prazo entre investidores institucionais.
Bitcoin segue padrões cíclicos de quatro anos relacionados aos halvings (redução pela metade das recompensas de mineração). O halving de 2024 deveria ter impulsionado o preço, mas a dinâmica mudou com a chegada dos ETFs spot, que reduziram o impacto tradicional desses eventos.
Historicamente, Ethereum experimentou sete quedas acima de 60% nos últimos oito anos, cada uma seguida de recuperação em “V” rápida. Indicadores técnicos atuais sugerem que o mercado pode estar próximo do fundo, com potencial para recuperação significativa nos próximos meses.
Paradoxalmente, enquanto o mercado cripto sofre, a regulação nos EUA avança significativamente. A Câmara dos Representantes aprovou um projeto de lei para estruturar o mercado de criptomoedas, que agora segue para revisão do Senado. A CFTC (Commodity Futures Trading Commission) permitiu que bancos fiduciários nacionais emitam stablecoins lastreadas em dólar, aumentando a clareza regulatória.
O presidente da SEC, Paul Atkins, testemunhou no Congresso sobre criptomoedas, e a Nasdaq submeteu um filing para equalizar os limites de posição em ETFs de Bitcoin. Esses desenvolvimentos sugerem que a indústria cripto está se institucionalizando, apesar da volatilidade de preços.
A correlação entre Bitcoin e ouro atingiu 0,85, um nível histórico. Enquanto ouro subiu 46% nos últimos seis meses, Bitcoin recuou 40%, destacando que criptomoedas funcionam como ativos de risco, não como refúgio seguro em tempos de crise.
A geopolítica global em 2026 é marcada por fragmentação em blocos antagônicos (EUA vs. China-Rússia-BRICS), tensões comerciais e competição por recursos críticos. Nesse contexto, investidores buscam segurança em ouro e moedas fiduciárias, não em ativos voláteis como criptomoedas.
Analistas divergem sobre o futuro próximo. Alguns preveem que o ciclo de quatro anos do Bitcoin terminará com um pico em meados de 2026, enquanto outros projetam recuperação para US$ 150 mil até o final do ano. O CEO da Coinbase, Brian Armstrong, mantém uma visão bullish de longo prazo, chamando a volatilidade atual de “normal” para o mercado cripto.
Por outro lado, críticos como o economista Nouriel Roubini alertam que os planos de desregulação cripto do governo Trump (Atos GENIUS e CLARITY) criam riscos sistêmicos significativos para a economia global.
O mercado de criptomoedas em fevereiro de 2026 está em um ponto de inflexão crítico. Com Bitcoin oscilando entre US$ 60 mil e US$ 71 mil, investidores enfrentam uma decisão difícil: acreditar que o fundo foi tocado e que uma recuperação está próxima, ou temer que mais quedas virão.
O que é certo é que a volatilidade extrema, combinada com avanços regulatórios significativos, está transformando o mercado cripto. A institucionalização continua, mesmo enquanto os preços caem. Para investidores de longo prazo, essa pode ser uma oportunidade; para traders de curto prazo, é um minefield de riscos.
Acompanhe as próximas atualizações sobre o mercado de criptomoedas e seu impacto na economia global.


