O presidente da Acadêmicos de Niterói, Wallace Palhares, foi demitido do cargo de assistente da Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro) nesta 5ª feira (5.fev.2026). A demissão foi assinada pelo deputado Guilherme Delaroli (PL), 1º vice-presidente em exercício da Alerj, e publicada no Diário Oficial Legislativo.
A escola homenageará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. A Acadêmicos de Niterói abrirá a 1ª noite de desfiles na Marquês de Sapucaí, em 15 de fevereiro de 2026.
Palhares ocupava o cargo desde 2025. Estava lotado na Comissão de Transportes, ligada ao gabinete de Dionísio Lins (PP), vice-líder do governo Cláudio Castro (PL) na Casa.
O chefe da Acadêmicos de Niterói recebeu R$ 7.961,34 como assessor em janeiro de 2026, segundo dados do Portal da Transparência da Alerj. O valor inclui rendimento líquido de R$ 2.353,21 e benefícios. Seu salário praticamente triplicou em apenas 9 meses: em abril de 2025, o montante recebido foi de R$ 2.782,56.
Dionísio Lins, a quem Palhares estava ligado na Alerj, é uma figura conhecida do Carnaval carioca. Apresenta-se como representante de Madureira e benemérito das escolas Império Serrano e Portela. Atualmente, mantém embate com a Liesa, defendendo a ampliação do Grupo Especial de 12 para 15 escolas. Nos anos 2010, Lins esteve envolvido em suspeitas de clientelismo relacionadas a centros sociais bancados por políticos.
Além da atuação na Alerj e na escola de samba, Palhares é sócio-administrador das empresas WP Consulting e Fino Trato Selo Musical.
Em dezembro, recebeu o título de “Cidadão Niteroiense” por indicação do vereador Anderson Pipico (PT). Pipoco é presidente de honra da Acadêmicos de Niterói.
O Poder360 procurou a Acadêmicos de Niterói para perguntar se gostaria de se manifestar a respeito da demissão de Palhares. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.
A assessoria de Delaroli informou que não comenta casos específicos de desligamentos de funcionários: “As exonerações seguem o curso natural da transição na presidência, e têm como objetivo aprimorar a gestão e, consequentemente, os serviços prestados à população do Estado do Rio de Janeiro”.
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A escolha do enredo provocou reações no campo político.
O Novo acionou o TCU (Tribunal de Contas da União) e pediu uma medida cautelar para impedir o uso de dinheiro público pela escola de samba. Os congressistas do partido argumentam que o repasse configura desvio de finalidade por envolver um enredo em homenagem ao presidente Lula, que deve ser candidato à reeleição em 2026.
Na 2ª feira (2.fev.2026), a área técnica do TCU recomendou bloquear o repasse à Acadêmicos de Niterói. A decisão final caberá ao relator do caso, ministro Aroldo Cedraz.
Em 19 de janeiro, a Embratur e o Ministério da Cultura autorizaram o repasse de R$ 12 milhões à Liesa, responsável pela organização dos desfiles do Grupo Especial. O valor foi dividido igualmente entre as escolas, com R$ 1 milhão para cada uma. A prática ocorre há anos, independentemente do governo.
O governo do Rio de Janeiro, comandado por Castro, é o maior patrocinador do Grupo Especial. Em 29 de janeiro, o Estado oficializou o repasse de R$ 40 milhões às escolas, distribuídos de forma equânime entre as 12 agremiações e usados também na operação do Sambódromo da Marquês de Sapucaí.
A Prefeitura do Rio, sob a gestão de Eduardo Paes (PSD), repassou R$ 25,8 milhões à Liesa.


