Antes de ter sido eleito senador por Sergipe em 2018, Alessandro Vieira (MDB) atuou como delegado de polícia por 17 anos. No estado para onde se mudou quando tiAntes de ter sido eleito senador por Sergipe em 2018, Alessandro Vieira (MDB) atuou como delegado de polícia por 17 anos. No estado para onde se mudou quando ti

O delegado do Senado que quer apurar tudo — doa a quem doer

2026/02/01 11:10

Antes de ter sido eleito senador por Sergipe em 2018, Alessandro Vieira (MDB) atuou como delegado de polícia por 17 anos.

No estado para onde se mudou quando tinha apenas oito anos, o gaúcho de Passo Fundo atuou em grandes investigações relacionadas ao combate à corrupção – que incluíam nomes gabaritados da política sergipana. 

Assumiu o cargo de delegado geral do estado em 2016, mas um ano depois foi exonerado e transferido para uma pequena delegacia no interior – segundo ele, por pressões políticas. Por causa disso, decidiu ele mesmo entrar para a política. 

Desde então, o senador tem sido um protagonista em grandes temas que chegam à Casa. Foi relator do auxílio-emergencial, uma das principais vozes na CPI da Pandemia contra os desmandos do governo Bolsonaro, e, agora, vai relatar a CPI do Crime Organizado. 

Para ele, o banco de Daniel Vorcaro é um exemplo claro do que deve ser combatido nessa CPI. 

“O Banco Master reproduz o que grandes empreiteiras fizeram no passado: o papel de distribuidor de recursos para os poderes da República. Não há como ignorar a caracterização de crime organizado,” Vieira disse ao Brazil Journal.

Além disso, critica a atuação do STF no caso e os conflitos de interesses envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli – e defende o impeachment de ambos. 

“É um processo difícil e traumático, mas o Brasil já fez impeachment de presidente da República. Não é inconcebível avançar para o afastamento de ministros da Suprema Corte,” disse.

A respeito das críticas de que o impeachment de ministros do STF poderiam dar força aos golpistas do 8 de janeiro, Vieira diz que isso “não contamina julgamentos de causas sem relação com o banco.” Ele também é contra a anistia, apesar de ver espaço para a redução das penas.

Vieira se considera um político de centro. Defende bandeiras sociais como a criminalização da LGBTfobia e a proteção a minorias, assim como “a defesa intransigente do recurso público através do combate à corrupção e da gestão profissional.”

“Esse conjunto de posições me coloca num campo de centro, em que cada circunstância é analisada a partir do que produz o melhor resultado para o País, e não a partir de rótulos ideológicos,” disse.

Abaixo, os principais trechos da conversa.

Como o senhor definiria o atual momento da República, considerando casos como o Banco Master, conflitos de interesse no Legislativo e no Judiciário e o avanço do crime organizado?

O Brasil vive um momento de definição de rumos. Ou continuamos ladeira abaixo, a caminho de nos transformar num narcoestado, com a infiltração crescente do crime organizado nos poderes da República e em suas lideranças mais altas, ou fazemos agora uma interrupção desse ciclo e começamos uma caminhada de reconstrução baseada no respeito às leis e no combate duro ao crime organizado.

É importante registrar que crime organizado não é apenas o pobre armado na favela. Crime organizado são as atuações do Banco Master, são as fraudes no INSS, é a corrupção nas emendas parlamentares. Tudo isso é crime organizado – e ajuda a dimensionar o tamanho do desafio.

É possível imaginar saídas práticas para esse cenário ou a corrupção já está entranhada em todos os setores?

Esse enfrentamento faz parte do meu perfil. Eu já cheguei à política com essa disposição. Hoje temos três grupos definidos na política nacional: um grupo que foi integralmente capturado pelo crime organizado; um grupo menor que tenta combater essa infiltração; e uma grande massa que se movimenta conforme os interesses das lideranças e as circunstâncias do momento.

Estamos num momento histórico, às vésperas da eleição. A aposta é que essa massa maior, que não foi capturada diretamente, se sinta mais motivada a engrossar as fileiras de quem combate o crime. Isso passa por mobilização social, mas é possível.

Entrando no caso do Master: qual é o tamanho real do problema?

O Banco Master reproduz, de forma acelerada e extensiva, o que grandes empreiteiras fizeram no passado: o papel de distribuidor de recursos para os poderes da República. Não há como ignorar a caracterização de crime organizado. Existe uma estrutura com hierarquia, papéis definidos e permanência, voltada ao crime.

É uma operação financeira insustentável, com características de pirâmide, cuja longevidade só se explica por sua vinculação. E tudo indica que esses esquemas de corrupção envolvem pessoas poderosas do Legislativo, do Executivo e do Judiciário. Precisamos mapear essas relações para desmontar essa rede de proteção.

Quando eu comandava operações contra o jogo do bicho, já dizia: o problema maior não é o crime em si, mas a corrupção que sustenta a infiltração criminosa no poder público e mina a credibilidade das instituições.

No caso do Banco Master, houve fiscalização falha, atuação política forte em benefício dos criminosos e, depois, uma atuação judicial aparentemente também em benefício deles. Isso tudo é gravíssimo e exige uma apuração transparente, acompanhada pela sociedade.

Esse cenário pode levar ao afastamento de ministros do Supremo?

É um cenário possível porque chegamos a uma situação extrema. Notícias de contratos com familiares de ministros, em valores altíssimos e aparentemente incompatíveis com negociações reais, geram um dano à imagem que me parece irreparável.

É um processo difícil e traumático porque são figuras muito poderosas, sem constrangimento em usar esse poder para paralisar investigações. Mas o Brasil já fez impeachment de presidente da República. Não é inconcebível avançar para o afastamento de ministros da Suprema Corte.

Como é sua relação pessoal com os ministros do STF?

Tenho uma relação pessoal tranquila com todos. Mas a preocupação institucional existe há anos: a proximidade excessiva com políticos, investigados e processados.

Agora isso ultrapassou a fase do diálogo. Há constatação de envolvimento com criminosos e transferência de recursos milionários. Diante da inércia da Procuradoria-Geral da República, resta o caminho de uma CPI e, eventualmente, do impeachment.

Quais ministros do STF estariam no alvo para um eventual impeachment

O ministro Dias Toffoli e o ministro Alexandre de Moraes.

Há quem defenda blindar o Supremo em nome da defesa da democracia depois do 8 de janeiro. Isso faz sentido?

A defesa da democracia não pode servir de escudo para o cometimento de crimes. São coisas completamente distintas. Essa estratégia tende a se desmoralizar com o tempo.

Ninguém recebeu mais de R$ 100 milhões para defender a democracia. Esse dinheiro foi recebido para defender interesses de criminosos. É preciso clareza dos fatos e avançar nas apurações.

Como ficaria a relação entre os Poderes num cenário de impeachment de ministro do STF?

A melhor solução é cumprir a Constituição. São Poderes independentes, mas que se equilibram e se controlam. O Congresso se omitiu por muito tempo no controle da conduta de ministros do Supremo. Esse momento chegou.

Mas se houver cassação de um ministro do Supremo, os condenados pelo 8 de janeiro não poderão pedir a anulação do processo?

O envolvimento de ministros com o Banco Master não contamina julgamentos de causas sem relação com o banco. Isso se resolve com naturalidade.

O senhor é contra ou a favor da anistia?

Sou contra. Defendo discutir o tamanho das penas e a fundamentação das condenações, mas quando há verificação de crime, anistia não cabe.

É possível combater o crime organizado sem atingir grandes figuras da República?

Não. Em algum momento será inevitável atingir personagens no poder que dão abrigo e apoio ao crime. Todos os crimes se encontram na lavagem de dinheiro. O enfrentamento precisa ser duro.

Só existe crime organizado com parceria com o poder público. Quando falamos de crime organizado de grande escala, essa parceria chega à esfera política, que decide comando de batalhões e distribuição do policiamento.

O senhor se surpreendeu com o que encontrou na política?

Não me surpreendeu totalmente. O que assusta é a proporção da infiltração criminosa no Judiciário. O desafio é grande, mas o País precisa enfrentar.

O caso do Master é isolado?

Não deve ser. Quem se dispõe a esse tipo de parceria criminosa tende a repetir o comportamento. Só uma investigação serena pode dimensionar isso.

Como o senhor se define politicamente?

Defendo a família, a defesa intransigente do recurso público através do combate à corrupção e da gestão profissional, aliada à necessidade que o Brasil tem de redução das desigualdades

Esse conjunto de posições me coloca num campo de centro, em que cada circunstância é analisada a partir do que produz o melhor resultado para o País, e não a partir de rótulos ideológicos.

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