Banco de Brasília — Foto: Divulgação
Influenciadores relataram em suas redes sociais que foram procurados para defender a imagem do Banco de Brasília (BRB) em seus perfis.
Segundo o Valor Econômico, ao menos três criadores de conteúdo afirmaram ter recebido propostas para participar de um almoço que tinha como objetivo “apresentar a versão dos fatos” da instituição financeira, seguida da publicação de conteúdos nas redes sociais. Os contatos pediam orçamentos desses profissionais.
Entre eles está Murilo Duarte, conhecido como Favelado Investidor, que reúne cerca de 586 mil seguidores no Instagram. Ao Valor, ele afirmou ter recebido uma mensagem no WhatsApp na manhã de terça-feira, enviada por Luciana Medeiros, CEO da agência The Marketing Arm (TMA).
Na mensagem, Medeiros solicitava um orçamento para a participação de Duarte em um almoço “em nome do presidente do banco, Nelson Antonio de Souza”. Segundo o texto, “a equipe técnica do banco irá apresentar informações relevantes sobre o que realmente está acontecendo”. O encontro estava previsto para 10 ou 24 de fevereiro, em São Paulo.
“O objetivo da ação é que o BRB tenha a chance de explicar as medidas de contenção de danos e as ações de recuperação, para que os convidados do almoço divulguem de maneira transparente e objetiva as informações recebidas por seus seguidores”, dizia a mensagem visualizada pelo Valor.
Entre as entregas previstas estavam a publicação de stories “que achar necessário para relatar de forma honesta o evento” e um “reels” (vídeo) de resumo, com “briefing” (orientação prévia sobre o conteúdo) fornecido pela marca. A proposta também incluía direito de uso de imagem para reprodução do material nas redes do banco e impulsionamento (promoção paga) por 30 dias, com pagamento em até 40 dias após a assinatura do contrato e emissão de nota fiscal.
Duarte contou que se sentiu “desrespeitado” com a abordagem. “Não senti honestidade nessa mensagem, porque, se fosse algo transparente, não precisariam pagar alguém para comparecer e divulgar, tirando a autonomia do influenciador”, disse.
Também houve relatos de outros criadores de conteúdo. Renata Barreto, que soma cerca de 1,3 milhão de seguidores no Instagram, afirmou ter recebido proposta por e-mail, enviada também por Medeiros, na terça-feira à noite. Ao Valor, ela disse ter se surpreendido com o contato, já que não conhecia a agência nem a executiva, não atua com publicidade e mora nos Estados Unidos.
Renato Breia, cofundador da Nord Investimentos, também relatou ter sido procurado, conforme publicação compartilhada por ele na rede social X e confirmada por sua assessoria de imprensa. Ele reúne cerca de 188 mil seguidores no Instagram.
Os relatos dos influenciadores acontecem no mesmo momento em que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli autorizou a abertura de um inquérito para apurar se influenciadores foram contratados pelo Banco Master para atacar de forma coordenada o Banco Central (BC) e representantes do setor bancário no fim de 2025. A investigação apura se houve pagamento pelas publicações e quem teria financiado a ação.
Diferentemente dos perfis que atacaram o BC em defesa do Master, na maioria dos casos de fofoca e entretenimento, os influenciadores procurados em nome do BRB eram da área de finanças.
As operações envolvendo o Banco Master adicionaram pressão ao atual cenário do BRB, que fez uma proposta para adquirir parte da instituição de Daniel Vorcaro em março de 2025, depois de ter comprado R$ 12,2 bilhões em carteiras do Master apontadas pelo Banco Central como suspeitas de fraudes.
Procurado pelo Valor, o BRB não se manifestou. A Flap, agência responsável pela conta do banco do Distrito Federal, afirmou que a iniciativa partiu da própria empresa e que se tratava de uma “cotação para um evento ainda em fase preliminar de planejamento, sem prévia submissão ou aprovação do Banco BRB”. Segundo a Flap, a TMA fez o contato com os influenciadores a seu pedido.
“O objetivo da agência era convidar influenciadores reconhecidos no mercado pela seriedade e pela atuação no segmento econômico/financeiro para um evento onde seria feita uma apresentação institucional pela nova direção do BRB”, disse a Flap, em nota enviada ao Valor. “O propósito da iniciativa era ampliar o acesso à informação, promovendo transparência e permitindo que diferentes públicos tivessem contato com os esclarecimentos prestados pelo banco.”
A agência também disse que não houve “qualquer tentativa de compra de opinião ou interferência editorial” e que respeita a independência dos profissionais que atuam em redes sociais. “Ressaltamos que a abordagem foi conduzida pela equipe da agência e seus fornecedores, sem qualquer participação de funcionários do Banco BRB.”


