A Agência afirmou que, por serem irregulares e de origem desconhecida, as canetas não têm garantia de qualidadeA Agência afirmou que, por serem irregulares e de origem desconhecida, as canetas não têm garantia de qualidade

Anvisa proíbe venda de canetas emagrecedoras sem registro no país

2026/01/22 13:18

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) proibiu nesta 4ª feira (21.jan.2026) a venda de canetas emagrecedoras à base de tirzepatida das marcas Synedica e TG, e de retatrutida, de todas as marcas e lotes. Esses produtos são popularmente conhecidos como “canetas emagrecedoras do Paraguai”. A informação foi publicada no DOU (Diário Oficial da União). Eis a íntegra (108 KB).

Segundo a agência, esses medicamentos são produzidos por empresas desconhecidas e são vendidos, em perfis no Instagram, “sem registro, notificação ou cadastro na Anvisa”.

A decisão foi tomada pela entidade após a mineira Kellen Oliveira Bretas Antunes ficar em estado grave depois de utilizar uma caneta emagrecedora sem prescrição médica (leia mais abaixo).

A Anvisa ainda afirmou, em seu comunicado, que, por serem irregulares e de origem desconhecida, as canetas não têm garantia de qualidade. Por este motivo, não poderiam ser usadas “em nenhuma hipótese”. 

Em 20 de dezembro, a agência emitiu um alerta sobre a oferta do produto, ressaltando que a venda e o uso de canetas emagrecedoras falsas representam um sério risco à saúde e é considerado um crime hediondo no país.

Desde junho do ano passado, receitas médicas são exigidas para a compra de substâncias emagrecedoras no Brasil.

Isso significa que, para comprar substâncias como semaglutida, liraglutida, dulaglutida, exenatida, tirzepatida e lixisenatida (agonistas do receptor GLP-1), o paciente precisa apresentar uma receita médica em duas vias, e a farmácia deve reter a via original no momento da venda, como já ocorre com antibióticos e outros medicamentos controlados. A receita tem validade de até 90 dias a partir da data de emissão.

Uso inadequado

Kellen Oliveira, de 42 anos, está internada em um hospital em Belo Horizonte desde dezembro. Segundo a filha de Kellen, Dhulia Antunes, a mãe passou a tomar o medicamento, proveniente do Paraguai e vendido de forma ilegal no Brasil, no fim de novembro. Ela começou a passar mal em meados de dezembro.

Nas redes sociais, a filha da mineira informou nesta 4ªfeira (21.jan.2026) que Kellen passou por exames durante a noite, que confirmaram o diagnóstico de síndrome de Guillain-Barré, uma doença neurológica rara e grave em que o sistema imunológico ataca os nervos periféricos.

Dhulia relatou ainda que a mãe apresenta severa limitação de movimentos, conseguindo mexer apenas o pescoço e os dedos das mãos e dos pés.

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