Ministro afirma que a resistência aos direitos trabalhistas acompanha a história do Brasil e que fim da escala 6 X 1 pode ser votado no 1º semestreMinistro afirma que a resistência aos direitos trabalhistas acompanha a história do Brasil e que fim da escala 6 X 1 pode ser votado no 1º semestre

Se dependesse de empresários, seria escala 7 X 0, diz Boulos

2026/01/21 21:06

O ministro da Secretaria Geral da Presidência, Guilherme Boulos, defendeu o fim da escala 6 X 1 durante entrevista ao programa “Bom dia, Ministro”, da EBC (Empresa Brasileira de Comunicação) nesta 4ª feira (21.jan.2026).

Ao comentar a resistência do empresariado à proposta, Boulos afirmou que a oposição acompanha historicamente a ampliação de direitos trabalhistas no Brasil. Disse que o tema é “inegociável” para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ironizou a postura de parte do setor empresarial. “O empresário vai resistir? Lógico. Ele quer aumentar o seu lucro. Se pudesse, o trabalhador faria 7×0”, declarou.

Debate sobre a redução da jornada de trabalho

Segundo Boulos, o debate sobre a redução da jornada de trabalho tem avançado no Congresso Nacional e pode ser votado ainda neste 1º semestre de 2026. O ministro é o responsável pela intermediação entre movimentos sociais e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Os latifundiários do século 19 resistiram à Lei Áurea. Se dependesse deles, era escravidão até hoje”, afirmou, acrescentando que a criação do salário mínimo e da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) na Era Vargas (1930-1945) foi acompanhada também de discursos de empresários que diziam que as medidas provocariam uma fuga de investimentos no Brasil. “E sabe o que aconteceu? De 1940 a 1980, o Brasil teve o maior ciclo de crescimento econômico da sua história”, disse.

Boulos afirmou que esteve na semana passada com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), ao lado do ministro do Trabalho, Luiz Marinho. “Há um avanço para que a gente vote ainda esse semestre o fim da escala 6×1 e consiga dar essa resposta para os trabalhadores”, declarou.

Questionado sobre o horizonte da escala 4 X 3, debatida e implementada em alguns países, principalmente na Europa, o ministro afirmou que as conquistas dos trabalhadores devem ser feitas aos poucos. A prioridade, segundo ele, é permitir a redução da jornada de trabalho para, no máximo, 40 horas semanais, sem redução de salário. Segundo o ministro, a escala 4 X 3 dificilmente seria colocada em pauta.

“O poder de lobby e de fogo dos grandes empresários, de quem ganha com exploração do trabalhador, é gigantesco nesse país, porque tem muita grana. É muita gente herdeira, gente que fica defendendo escala 6×1 para os outros, mas está no jantar com caviar e champanhe”, afirmou Boulos.

“Muita gente que fica dizendo que o povo tem que trabalhar e nunca trabalhou na vida, é herdeiro”, acrescentou. Boulos também refutou o argumento de que a redução da jornada reduziria a produtividade do trabalho no Brasil, que é baixa.

“Uma coisa é você trabalhar para poder viver, todo mundo precisa. Outra coisa é você viver para trabalhar, não ter tempo para nada, para ficar com sua família, ficar com seus filhos, para fazer um curso para aumentar a sua produtividade como trabalhador”, disse.

Para Boulos, a responsabilidade pela baixa produtividade não é do trabalhador, mas do setor privado brasileiro “que não investe em inovação e em tecnologia”.

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