Num fim de semana recente, parte do bairro de Copacabana passou horas no escuro, gerando revolta dos moradores e reclamações com a Light, a concessionária que oNum fim de semana recente, parte do bairro de Copacabana passou horas no escuro, gerando revolta dos moradores e reclamações com a Light, a concessionária que o

‘Chama a polícia!’ Roubo de cobre vai parar no ferro-velho e deixa o Brasil no escuro

2026/01/15 20:39

Num fim de semana recente, parte do bairro de Copacabana passou horas no escuro, gerando revolta dos moradores e reclamações com a Light, a concessionária que opera na região.

Mas o motivo do apagão não foi nenhuma tempestade fora do comum, nem mesmo a queda de árvores – até porque o sistema elétrico da Zona Sul do Rio é em grande parte subterrâneo. 

Os culpados foram bandidos – que têm furtado sistematicamente cabos de cobre do sistema de energia da cidade, outro tipo de crime que cresce vertiginosamente no Brasil, especialmente no Sudeste.

Para entender como os furtos acontecem, é preciso compreender primeiro como a energia chega na casa das pessoas. 

Em áreas com rede subterrânea, a energia é distribuída para as residências por meio de seis cabos. Se um, dois ou até três desses cabos falham, a energia não cai na hora, pois passa a ser distribuída pelos cabos restantes. 

“O problema é que, conforme a quantidade de ‘caminhos’ diminui, a carga nos demais cabos aumenta. Se a carga estiver baixa, o sistema consegue resistir só com dois cabos até, mas se o consumo estiver alto, ele pode sobrecarregar os cabos restantes,” disse um executivo do setor. 

O que aconteceu no Rio é que os bandidos levaram diversos cabos ao longo do sistema, mas fizeram de forma que ele continuasse funcionando, para não alertar a concessionária.

“Quando um bandido chega e furta um ou dois cabos, o sistema se organiza sozinho para distribuir para os demais, sem precisar de uma equipe técnica. A falha só vai ser sinalizada quando houver a sobrecarga,” disse o executivo. 

A sobrecarga aconteceu num sábado de verão, com altas temperaturas, gerando o apagão em Copacabana e obrigando as equipes da Light a fazerem a recomposição emergencial dos cabos nos pontos em que eles foram furtados. 

“O problema é que a falha pode levar meses para acontecer. E não dá para saber quando os furtos realmente aconteceram. Pode ter sido vários furtos em momentos diferentes.”

O que aconteceu no Rio é exemplo de uma prática que tem crescido em todo o Brasil. 

Marcos Madureira, o presidente da Associação Brasileira de Distribuidoras de Energia (ABRADEE), disse ao Brazil Journal que desde 2021 os casos têm escalado, passando a ser um problema real para as concessionárias. 

“No passado, os casos eram poucos, e o efeito deles não era nem muito acompanhado pelo setor. Era tratado junto com as perdas por furtos de energia. Mas de uns tempos para cá isso tem tomado uma dimensão muito grande,” disse Madureira.

Em 2024, o dado mais atual compilado pela entidade, ocorreram 28 mil casos de furto de cabos registrados no Brasil, resultando num prejuízo de mais de R$ 45 milhões para as concessionárias. Foram 130 toneladas de cabos furtados. 

O líder em furtos é o Sudeste, que concentra 60% dessas ocorrências. O segundo lugar ficou com o Nordeste e o Sul, ambos com 17%, seguidos pelo Centro-Oeste e Norte, que juntos somam 6% dos casos. 

Apesar do prejuízo financeiro ser alto, o maior impacto é no fornecimento de energia, disse Madureira. 

“Isso afeta os consumidores e a relação deles com as distribuidoras. Em 2024, tivemos 90 mil casos de interrupção provocados por esse tipo de roubo,” disse ele. “E isso não tem acontecido só no setor elétrico. Nas redes de telecom isso também tem crescido.”

Sem conseguir resolver o problema da segurança pública – que não é de sua alçada – a Light tem tentado outra solução:  comprar geradores para que as pessoas não fiquem sem luz.

“No Rio, a Light enfrenta duas realidades: na Zona Sul, tem esse roubo frequente de cabos; na Zona Norte, há cabos muito velhos que precisam ser trocados, mas isso exige um capex pesado que a empresa só vai conseguir fazer quando tiver renovado sua concessão, pois é muito capital para mobilizar agora, quando ela já está no final do contrato de concessão,” disse Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE).

O combate ao furto de cobre teve um avanço importante no ano passado, quando foi promulgada a Lei 15.181, que aumentou a pena para crimes de roubo de 4 para 10 anos de reclusão. Quando envolver equipamentos de energia e telefonia, a pena pode subir para até 15 anos. 

“É uma lei muito importante, mas ela tem que se transformar em ações reais de punição,” disse ele. 

Rodrigo Pimentel, o ex-capitão do BOPE e especialista em segurança pública, acha que a mudança na lei é insuficiente para inibir esse tipo de crime, e que a solução é mais estrutural, passando por mudanças no Código Penal e por um ataque aos receptadores dos cabos roubados (os ferros-velhos clandestinos).

“Como o furto de cabo é considerado um crime sem violência ou grave ameaça, mesmo aumentando a pena o bandido vai responder em liberdade,” disse ele.

“O problema é que o Direito Penal não olha para o resultado, mas para o dolo. O resultado do furto de cabos é gravíssimo: pode matar um paciente em home care, acabar com o estoque de carne de um mercado, e dar prejuízos enormes para as pessoas. Mas o dolo do bandido era furtar o cabo, e o Direito Penal olha para isso.”

Pimentel disse ainda que a única solução para esse problema é atacar os ferros-velhos que compram os cabos furtados. 

Segundo dados da Polícia Militar existem 450 ferros-velhos clandestinos no Rio de Janeiro, tornando muito difícil a fiscalização de todos.

“Uma solução que venho defendendo faz tempo é o Governo do Estado do Rio ou a Prefeitura transformarem a atividade de ‘ferro velho’ numa concessão estadual ou municipal,” disse ele. “Isso reduziria o número de ferros-velhos dos 450 para 5 ou 6, e esses 5 ou 6 poderiam ser vistoriados e auditados com muito mais eficiência,” disse ele. 

Enquanto o Poder Público não encontra uma solução, as próprias concessionárias têm tomado medidas para tentar reduzir esse tipo de crime. O diretor de operações de uma grande concessionária disse que sua empresa tem substituído os cabos de cobre por cabos de alumínio, que têm um valor de revenda muito menor, tornando o roubo menos atrativo para os bandidos. 

“A substituição dos cabos roubados e toda a nossa expansão já temos feito com alumínio. Mas não dá para fazer isso em massa porque teríamos que desligar os clientes; é um volume de cabos muito grande,” disse este executivo. “Além disso, os cabos de alumínio são maiores que os de cobre, e nem todos os dutos têm espaço para permitir essa troca.”

Segundo esse executivo, o perfil dos criminosos está se profissionalizando. Antes, a maior parte dos roubos era feito por usuários de drogas, que roubavam os cabos para vender em ferro-velhos e comprar drogas. Agora, já há quadrilhas especializadas nesse tipo de roubo.

“Já vimos situações em que eles foram roubar com uma picape que tinha um equipamento que era acoplado no cabo e puxava ele inteiro em segundos. É um nível de sofisticação muito grande.”

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