O aiatolá Ali Khamenei, o líder supremo do Irã, condenou hoje os protestos no país, afirmando que eles trabalham em benefício dos EUA. “Há pessoas cujo trabalhoO aiatolá Ali Khamenei, o líder supremo do Irã, condenou hoje os protestos no país, afirmando que eles trabalham em benefício dos EUA. “Há pessoas cujo trabalho

Irã decide nas ruas o futuro dos aiatolás. Agora vai?

2026/01/09 23:46

O aiatolá Ali Khamenei, o líder supremo do Irã, condenou hoje os protestos no país, afirmando que eles trabalham em benefício dos EUA.

“Há pessoas cujo trabalho é a destruição,” disse Khamenei em um discurso transmitido pela TV estatal enquanto seus apoiadores entoavam “Morte aos Estados Unidos” e “Morte a Israel,” em cenas divulgadas pelo canal.

“Ontem à noite, em Teerã, incendiaram um prédio do governo – um prédio que é deles, que pertence ao país deles – para agradar ao presidente dos EUA,” disse o líder supremo. “Se você estiver trabalhando para estrangeiros, a nação vai rejeitá-lo.”

Apesar da forte repressão, a onda de protestos no Irã já dura doze dias – e pelos relatos nas redes sociais, vem ganhando força e se espalhando, com apoio de estudantes e pessoas que pedem respeito aos direitos humanos e liberdade de expressão.

Desde a revolução de 1979 – que destronou o xá Reza Pahlevi e instituiu uma república islâmica teocrática – as ondas de protestos são recorrentes. A atual, entretanto, tem perdurado e se disseminado como poucas do passado, colocando em dúvida a sobrevivência do regime dos aiatolás.

Os protestos irromperam no final de dezembro, com os comerciantes fechando suas lojas e condenando a alta de preços. Começaram no dia 28, no Grande Bazar de Teerã. A ira popular se agravou em meio à precariedade da situação econômica, aprofundada pela forte desvalorização do rial e a escalada inflacionária.

O Irã, que depende da importação de alimentos e itens essenciais como remédios, sente o custo de sua guerra com Israel e das sanções internacionais. Diversos países impõem embargos ao comércio com o país em razão de sua promoção do terrorismo, desrespeito aos direitos humanos e, principalmente, de seu programa nuclear.

As vendas de petróleo foram duramente castigadas. Segundo analistas, a economia local sofre sua maior crise desde 1979.

O país vinha driblando as restrições usando petroleiros ‘fantasmas’ para contrabandear os carregamentos – fazendo, inclusive, triangulações com a Venezuela e a Rússia e contando com as compras da China, seu maior cliente, e de algumas nações do Oriente Médio e da Ásia.

Mas o acirramento das sanções internacionais e a queda no preço do petróleo derrubaram essa fonte de recursos.

O governo reduziu subsídios e reajustou o preço dos combustíveis. A inflação ronda acima de 40% ao ano, e o preço dos alimentos subiu mais de 70% nos últimos doze meses.

Apesar do blecaute na internet determinado pelo regime, imagens dos protestos continuam tomando as redes sociais. Uma cena simbólica foi a derrubada da estátua do general Qasem Soleimani, o antigo comandante da temida Força Quds, da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, assassinado pelos EUA em 2020.   

De acordo com os números oficiais do Irã, 17 pessoas morreram até agora. Organizações internacionais baseadas no exterior estimaram o número de mortos em pelo menos 45, incluindo de integrantes das forças de segurança. O total de presos chega a 2.200.

No levante popular de 2019, também desencadeado por uma disparada no custo de vida, o número de mortos teria passado de 1.500.

Em 2022, o Irã enfrentou outra série intensa de protestos, dessa vez em razão da morte, na cadeia, da curda Mahsa Amini, de 22 anos, presa por não ter usado o hijab de maneira adequada. Com o slogan ‘Mulher, vida e liberdade,’ o movimento pediu o fim da ‘polícia da moralidade’ – e muitas mulheres saíram às ruas com as cabeças descobertas e queimando publicamente seus lenços.

Mais de 300 manifestantes perderam a vida, dezenas deles menores de idade. O número de detidos passou de 20.000. Diversas pessoas foram executadas depois de condenadas nos tribunais da Shariao sistema jurídico islâmico no regime dos aiatolás.

Apesar das pressões internas e externas, o regime autocrático tem conseguido se sustentar pelo uso da força. Mas o isolamento vem crescendo. A Rússia, um antigo aliado, está envolvida há quase quatro anos com os combates de sua invasão da Ucrânia. Nicolás Maduro acaba de ser preso pelos EUA, e Donald Trump vem usando a Marinha para perseguir petroleiros piratas.

Em seu pronunciamento de hoje, Khamenei afirmou que “todos sabem que a República Islâmica chegou ao poder com o sangue de centenas de milhares de pessoas honradas e não recuará diante dos sabotadores.”

O clérigo, que completará 87 anos em abril, é o segundo líder supremo. Assumiu em 1989, após a morte de Ruhollah Khomeini, o líder da revolução de 1979 e fundador da República Islâmica.

Os protestos dos últimos dias têm sido inflamados por Reza Pahlavi, o primogênito do antigo xá e possível sucessor do governo, caso o regime caia. Vivendo no exílio, ele arregimentou uma força de opositores e vem usando as redes sociais para convocar protestos e condenar a repressão. Defende a realização de um referendo popular, dando à população a chance de escolher entre uma monarquia constitucional ou uma república – mas desde que sob princípios seculares e democráticos.

A consultoria Eurasia publicou uma nota dizendo que “provavelmente” o regime teocrático sobreviverá à crise atual, assim como nas ocasiões anteriores, segundo o Financial Times. Mas é provável que os confrontos continuem e sejam intensificados, acirrando a repressão.   

Para a analista Dina Esfandiary, da Bloomberg Economics, o colapso também parece “improvável” – ao menos por enquanto.

“O governo mantém o controle e pode aumentar a repressão. Mas os riscos aumentam quanto mais os protestos persistirem – e sobem bastante se houver uma guerra civil.”

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