Para o presidente, os atos de 8 de Janeiro de 2023 terminaram com a derrota de um projeto que desprezava a vontade popularPara o presidente, os atos de 8 de Janeiro de 2023 terminaram com a derrota de um projeto que desprezava a vontade popular

“Não aceitamos ditadura civil nem militar”, diz Lula

2026/01/09 03:01

Em cerimônia de defesa do Estado Democrático de Direito, nesta 5ª feira (8.jan.2026), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse não aceitar “ditadura civil, nem militar”. O evento marcou os 3 anos da invasão e da depredação dos Três Poderes, em Brasília. 

Lula declarou que os atos golpistas de 8 de Janeiro representaram uma tentativa de restaurar o regime autoritário no Brasil. Segundo ele, o episódio terminou com a derrota de um projeto que desprezava a vontade popular e defendia a ditadura. “O que nos queremos é a democracia, emanada pelo povo e para ser exercida pelo povo”, afirmou.

Assista (2min40s):

Lula disse que os golpistas defendiam práticas como tortura, perseguição política e extermínio de adversários. Declarou ainda que houve planejamento de assassinatos de autoridades, incluindo ele próprio, o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), e o então presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Alexandre de Moraes.

O petista afirmou que a tentativa de golpe também representou uma ameaça à classe média e aos trabalhadores. Para ele, os envolvidos agiram para provocar instabilidade econômica, desemprego e retrocessos sociais. Para Lula, um regime democrático verdadeiro exige a construção de um país “mais justo, menos desigual, com mais direitos e menos privilégios”.

Segundo o presidente, o movimento tinha como objetivo preservar privilégios e reduzir direitos da maioria da população. Ele afirmou que o projeto autoritário tentava desmontar políticas de inclusão social e devolver o Brasil ao mapa da fome. “Eles exigiam cada vez mais privilégios para poucos e menos direitos para quem constrói a riqueza do país com o suor do seu trabalho”, declarou.

O presidente afirmou que a derrota do movimento golpista foi resultado da “firmeza” das instituições democráticas. Destacou o papel do STF (Supremo Tribunal Federal) no julgamento dos envolvidos. 

“Talvez a prova mais contundente do vigor da democracia brasileira seja o julgamento dos golpistas pelo STF. Todos eles tiveram amplo direito de defesa, foram julgados com transparência e imparcialidade. Ao final do julgamento, condenados com base em provas robustas”, disse..

Ele afirmou que a democracia não é permanente nem garantida. Declarou que precisa ser defendida diariamente e ensinada como um valor que vai além do voto periódico. “A democracia requer a participação efetiva da sociedade nas decisões do governo, é também o direito de dizer não”, afirmou.

Ao encerrar o discurso, o presidente declarou que o resultado do 8 de Janeiro reafirmou a soberania popular. Em seguida, Lula assinou o veto integral ao PL da Dosimetria, que flexibiliza as penas dos condenados pela tentativa de golpe de Estado. 

Assista ao discurso de Lula (20min45s): 

COMO FOI O ATO

A cerimônia no Palácio do Planalto começou por volta das 11h, no Salão Nobre, com a presença de ministros, parlamentares aliados, governadores e representantes das Forças Armadas. Do lado de fora, militantes do PT e movimentos sociais acompanharam o evento por um telão instalado na Via N1, no Eixo Monumental, em um ambiente marcado por palavras de ordem contra a anistia aos envolvidos nos atos golpistas.

O presidente entrou no salão acompanhado da primeira-dama Janja Lula da Silva, do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), da segunda-dama Lu Alckmin e de quadros centrais da articulação política do governo, como Guilherme Boulos (PSOL-SP), ministro da Secretaria Geral da Presidência, e Gleisi Hoffmann (PT-PR), ex-presidente nacional do PT e ministra da Secretaria de Relações Institucionais.

O ato foi aberto com a exibição de um vídeo institucional. Antes do discurso do ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, parte da plateia entoou gritos de “sem anistia”, em reação direta à tramitação no Congresso de propostas que suavizam penas impostas aos condenados pelos ataques de 8 de Janeiro. Esta foi uma das últimas aparições públicas de Lewandowski como ministro, já que ele deixa o cargo nesta semana, abrindo espaço para uma mudança relevante no comando da Justiça.

Na sequência, Alckmin afirmou que a “liderança de Lula salvou a democracia no Brasil”, alinhando o discurso do governo à narrativa de defesa das instituições.

Lula encerrou a cerimônia. No discurso, voltou a defender a punição dos envolvidos nos atos golpistas e justificou o veto ao trecho do projeto que alterava a dosimetria das penas. Segundo o presidente, cabe ao Judiciário, e não ao Congresso, definir critérios de punição.

Chamou atenção a ausência dos chefes dos outros Poderes. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), não participaram do evento. O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, também não compareceu.

Em contrapartida, o Planalto reuniu praticamente todo o primeiro escalão do governo, além de lideranças do Congresso e autoridades da área de segurança. Entre os presentes estava o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, nome que vem sendo ventilado nos bastidores como possível integrante de uma futura reestruturação da área de segurança pública, caso o governo avance na criação de um novo ministério.

Também participou do ato Jorge Messias, indicado pelo presidente ao STF. Até o momento, porém, o Planalto ainda não encaminhou ao Senado a mensagem oficial com a indicação, etapa necessária para o início da tramitação.

Ao final da cerimônia, Lula desceu a rampa do Planalto para cumprimentar o público na área externa, repetindo o gesto simbólico feito no ato do ano passado e encerrando o evento com uma demonstração de proximidade com a militância.

Eis a lista completa dos presentes no ato de 3 anos do 8 de janeiro, no Palácio do Planalto:

Ministras e ministros de Estado:

  • Rui Costa (ministro da Casa Civil)
  • Ricardo Lewandowski (ministro da Justiça e Segurança Pública)
  • José Múcio (ministro da Defesa)
  • Mauro Vieira (ministro das Relações Exteriores)
  • Dário Durigan (ministro da Fazenda, substituto)
  • Renan Filho (ministro dos Transportes)
  • Silvio Costa Filho (ministro de Portos e Aeroportos)
  • Carlos Fávaro (ministro da Agricultura e Pecuária)
  • Camilo Santana (ministro da Educação)
  • Margareth Menezes (ministra da Cultura)
  • Luiz Marinho (ministro do Trabalho e Emprego)
  • Wolney Queiroz (ministro da Previdência Social)
  • Wellington Dias (ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome)
  • Alexandre Padilha (ministro da Saúde)
  • Márcio França (ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte)
  • Alexandre Silveira (ministro de Minas e Energia)
  • Gustavo José Guimarães (ministro do Planejamento e Orçamento, substituto)
  • Esther Dweck (ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos)
  • Frederico de Siqueira Filho (ministro das Comunicações)
  • Luciana Santos (ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação)
  • Marina Silva (ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima)
  • André Fufuca (ministro do Esporte)
  • Gustavo Feliciano (ministro do Turismo)
  • Waldez Góes (ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional)
  • Paulo Teixeira (ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar)
  • Jader Filho (ministro das Cidades)
  • Rivetla Édipo Araújo (ministro da Pesca e Aquicultura, substituto)
  • Márcia Lopes (ministra das Mulheres)
  • Anielle Franco (ministra da Igualdade Racial)
  • Macaé Evaristo (ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania)
  • Sônia Guajajara (ministra dos Povos Indígenas)
  • Guilherme Boulos (ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República)
  • Marcos Antonio Amaro (ministro do Gabinete de Segurança Institucional)
  • Gleisi Hoffmann (ministra da Secretaria de Relações Institucionais)
  • Sidônio Palmeira (ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República)
  • Jorge Messias (advogado-geral da União)Vinícius de Carvalho (ministro da Controladoria-Geral da União)
  • Celso Amorim (assessor-chefe da Assessoria Especial da Presidência da República)

Governadores

  • Jerônimo Rodrigues (governador da Bahia)
  • Elmano de Freitas (governador do Ceará)
  • Fátima Bezerra (governadora do Rio Grande do Norte)

Senado Federal

  • Randolfe Rodrigues (senador, líder do governo no Congresso Nacional)
  • Jaques Wagner (senador, líder do governo no Senado Federal)
  • Beto Faro (senador, PT-PA)
  • Veneziano Vital do Rêgo (senador, MDB-PB)

Câmara dos Deputados

  • José Guimarães (deputado federal, líder do governo na Câmara)
  • Airton Faleiro (deputado federal, PT-PA)
  • Alencar Santana (deputado federal, PT-SP)
  • Aliel Machado (deputado federal, PV-PR)
  • Ana Paula Lima (deputada federal, PT-SC)
  • André Janones (deputado federal, Avante-MG)
  • Benedita da Silva (deputada federal, PT-RJ)
  • Camila Jara (deputada federal, PT-MS)
  • Daiana Santos (deputada federal, PCdoB-RS)
  • Daniel Almeida (deputado federal, PCdoB-BA)
  • Adriana Accorsi (deputada federal, PT-GO)
  • Dilvanda Faro (deputada federal, PT-PA)
  • Erika Kokay (deputada federal, PT-DF)
  • Juscelino Filho (deputado federal, União Brasil-MA)
  • Lindbergh Farias (deputado federal, PT-RJ)
  • Odair Cunha (deputado federal, PT-MG)
  • Paulo Guedes (deputado federal, PT-MG)
  • Pedro Uczai (deputado federal, PT-SC)
  • Reginaldo Veras (deputado federal, PV-DF)
  • Luciene Cavalcante (deputada federal, PSOL-SP)
  • Valmir Assunção (deputado federal, PT-BA)
  • Vicentinho (deputado federal, PT-SP)
  • Zeca Dirceu (deputado federal, PT-PR)
  • Forças Armadas e Justiça Militar
  • Marcos Olsen (almirante, comandante da Marinha)
  • Tomás Paiva (general, comandante do Exército)
  • Marcelo Damasceno (brigadeiro, comandante da Aeronáutica)
  • Renato de Aguiar Freire (almirante, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas)
  • Francisco Joseli (brigadeiro, presidente em exercício do Superior Tribunal Militar)
  • Freire Pimenta (ministro, presidente em exercício do Tribunal Superior do Trabalho)
  • Bancos públicos e estatais
  • Aloizio Mercadante (presidente do BNDES)
  • Luiz Cláudio Lessa (presidente do Banco da Amazônia)
  • Marcos Brasiliano Rosa (presidente substituto da Caixa)

Outros dirigentes

  • Andrei Rodrigues (diretor-geral da Polícia Federal)
  • Décio Lima (diretor-presidente do Sebrae)
  • Jorge Viana (presidente da ApexBrasil)
  • Marcela Morais (sargento da Polícia Militar do Distrito Federal)
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