Em cerimônia de defesa do Estado Democrático de Direito, nesta 5ª feira (8.jan.2026), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse não aceitar “ditadura civil, nem militar”. O evento marcou os 3 anos da invasão e da depredação dos Três Poderes, em Brasília.
Lula declarou que os atos golpistas de 8 de Janeiro representaram uma tentativa de restaurar o regime autoritário no Brasil. Segundo ele, o episódio terminou com a derrota de um projeto que desprezava a vontade popular e defendia a ditadura. “O que nos queremos é a democracia, emanada pelo povo e para ser exercida pelo povo”, afirmou.
Assista (2min40s):
Lula disse que os golpistas defendiam práticas como tortura, perseguição política e extermínio de adversários. Declarou ainda que houve planejamento de assassinatos de autoridades, incluindo ele próprio, o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), e o então presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Alexandre de Moraes.
O petista afirmou que a tentativa de golpe também representou uma ameaça à classe média e aos trabalhadores. Para ele, os envolvidos agiram para provocar instabilidade econômica, desemprego e retrocessos sociais. Para Lula, um regime democrático verdadeiro exige a construção de um país “mais justo, menos desigual, com mais direitos e menos privilégios”.
Segundo o presidente, o movimento tinha como objetivo preservar privilégios e reduzir direitos da maioria da população. Ele afirmou que o projeto autoritário tentava desmontar políticas de inclusão social e devolver o Brasil ao mapa da fome. “Eles exigiam cada vez mais privilégios para poucos e menos direitos para quem constrói a riqueza do país com o suor do seu trabalho”, declarou.
O presidente afirmou que a derrota do movimento golpista foi resultado da “firmeza” das instituições democráticas. Destacou o papel do STF (Supremo Tribunal Federal) no julgamento dos envolvidos.
“Talvez a prova mais contundente do vigor da democracia brasileira seja o julgamento dos golpistas pelo STF. Todos eles tiveram amplo direito de defesa, foram julgados com transparência e imparcialidade. Ao final do julgamento, condenados com base em provas robustas”, disse..
Ele afirmou que a democracia não é permanente nem garantida. Declarou que precisa ser defendida diariamente e ensinada como um valor que vai além do voto periódico. “A democracia requer a participação efetiva da sociedade nas decisões do governo, é também o direito de dizer não”, afirmou.
Ao encerrar o discurso, o presidente declarou que o resultado do 8 de Janeiro reafirmou a soberania popular. Em seguida, Lula assinou o veto integral ao PL da Dosimetria, que flexibiliza as penas dos condenados pela tentativa de golpe de Estado.
Assista ao discurso de Lula (20min45s):
A cerimônia no Palácio do Planalto começou por volta das 11h, no Salão Nobre, com a presença de ministros, parlamentares aliados, governadores e representantes das Forças Armadas. Do lado de fora, militantes do PT e movimentos sociais acompanharam o evento por um telão instalado na Via N1, no Eixo Monumental, em um ambiente marcado por palavras de ordem contra a anistia aos envolvidos nos atos golpistas.
O presidente entrou no salão acompanhado da primeira-dama Janja Lula da Silva, do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), da segunda-dama Lu Alckmin e de quadros centrais da articulação política do governo, como Guilherme Boulos (PSOL-SP), ministro da Secretaria Geral da Presidência, e Gleisi Hoffmann (PT-PR), ex-presidente nacional do PT e ministra da Secretaria de Relações Institucionais.
O ato foi aberto com a exibição de um vídeo institucional. Antes do discurso do ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, parte da plateia entoou gritos de “sem anistia”, em reação direta à tramitação no Congresso de propostas que suavizam penas impostas aos condenados pelos ataques de 8 de Janeiro. Esta foi uma das últimas aparições públicas de Lewandowski como ministro, já que ele deixa o cargo nesta semana, abrindo espaço para uma mudança relevante no comando da Justiça.
Na sequência, Alckmin afirmou que a “liderança de Lula salvou a democracia no Brasil”, alinhando o discurso do governo à narrativa de defesa das instituições.
Lula encerrou a cerimônia. No discurso, voltou a defender a punição dos envolvidos nos atos golpistas e justificou o veto ao trecho do projeto que alterava a dosimetria das penas. Segundo o presidente, cabe ao Judiciário, e não ao Congresso, definir critérios de punição.
Chamou atenção a ausência dos chefes dos outros Poderes. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), não participaram do evento. O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, também não compareceu.
Em contrapartida, o Planalto reuniu praticamente todo o primeiro escalão do governo, além de lideranças do Congresso e autoridades da área de segurança. Entre os presentes estava o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, nome que vem sendo ventilado nos bastidores como possível integrante de uma futura reestruturação da área de segurança pública, caso o governo avance na criação de um novo ministério.
Também participou do ato Jorge Messias, indicado pelo presidente ao STF. Até o momento, porém, o Planalto ainda não encaminhou ao Senado a mensagem oficial com a indicação, etapa necessária para o início da tramitação.
Ao final da cerimônia, Lula desceu a rampa do Planalto para cumprimentar o público na área externa, repetindo o gesto simbólico feito no ato do ano passado e encerrando o evento com uma demonstração de proximidade com a militância.
Eis a lista completa dos presentes no ato de 3 anos do 8 de janeiro, no Palácio do Planalto:

