Líder da Venezuela fala em acordos, critica ameaças militares e evita confirmar suposto ataque em território venezuelanoLíder da Venezuela fala em acordos, critica ameaças militares e evita confirmar suposto ataque em território venezuelano

Maduro diz que aceita negociar petróleo e imigração com EUA

2026/01/02 15:08

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro (PSUV, esquerda), disse que o país está disposto a negociar com os Estados Unidos acordos que envolvam petróleo, combate ao narcotráfico e imigração, desde que haja “diálogo sério” e respeito à soberania venezuelana. As declarações foram dadas em entrevista publicada na 5ª feira (1º.jan.2026), na qual o chefe do Executivo também evitou confirmar um ataque em solo venezuelano atribuído aos norte-americanos.

Sobre o narcotráfico, Maduro rejeitou acusações de que a Venezuela seja produtora de cocaína e afirmou que o país é vítima do tráfico originado na Colômbia. Disse que as Forças Armadas venezuelanas abateram 431 aeronaves usadas pelo crime organizado ao longo dos últimos anos e classificou o modelo adotado pelo país como “eficaz”. O presidente venezuelano declarou que Caracas estaria disposta a firmar um acordo com os EUA para combater o tráfico. “Se quiserem conversar seriamente sobre isso, estamos prontos”, afirmou em entrevista ao portal La Jornada, do México.

Na questão migratória, Maduro declarou que havia um acordo em vigor com os Estados Unidos desde janeiro de 2024, mas que, segundo ele, o próprio governo norte-americano suspendeu unilateralmente o envio de imigrantes de volta à Venezuela. “Eles falam de imigração, mas foram eles que interromperam o acordo”, disse.

Maduro dedicou parte da entrevista a criticar a política externa dos Estados Unidos, que classificou como ameaçadora e contrária ao direito internacional. Segundo ele, Washington busca intimidar a Venezuela para se apropriar de recursos naturais, como petróleo e minerais estratégicos. Maduro não quis comentar as informações divulgadas pelos EUA sobre um ataque terrestre contra uma instalação ligada a drogas na Venezuela. “É um tema que talvez possamos conversar em alguns dias. O que posso dizer é que a integridade territorial está garantida”, afirmou.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), disse na 2ª feira (29.dez.2025) que o seu país atingiu uma área portuária onde, segundo ele, embarcações carregam drogas.

Segundo o presidente da Colômbia, Gustavo Petro (Colômbia Humana, esquerda), o ataque foi em Maracaibo, perto da fronteira com o seu país. De acordo com a CNN Internacional, o ataque foi realizado pela CIA (Agência Central de Inteligência).

Maduro disse ter tido apenas uma conversa telefônica com Donald Trump, em novembro, que descreveu como cordial. Disse, porém, que os desdobramentos posteriores foram negativos. Ainda assim, afirmou considerar os Estados Unidos um “povo irmão” e defendeu a retomada do diálogo. “Aqui há um governo amigo. Nossa consigna é clara: ‘No war, yes peace’ [guerra não, paz sim, na tradução do inglês], declarou.

Nos 2 últimos dias de 2025, os norte-americanos realizaram duas novas operações militares contra embarcações em águas internacionais, com um total de 8 mortes.

Ao comentar dados da Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe) que apontam crescimento de 9% do PIB (Produto Interno Bruto) venezuelano em 2025, Maduro atribuiu o desempenho a um processo de reorganização produtiva iniciado em 2021, em meio às sanções internacionais. Segundo ele, a economia passou a se apoiar em “14 motores” voltados à produção interna e à redução de importações. “Não é milagre. É o resultado de uma economia real, construída pelo espírito empreendedor da sociedade venezuelana”, disse.

O presidente afirmou que o objetivo central do governo é substituir integralmente as importações e ampliar as exportações não petrolíferas, com foco em alimentos, café, cacau e produtos do mar. Ao mesmo tempo, indicou que o petróleo segue como peça estratégica e sinalizou abertura a investimentos norte-americanos. “Se querem petróleo da Venezuela, estamos prontos para investimentos norte-americanos”, afirmou.

Maduro também abordou a inflação e a política cambial. Disse que a indexação de rendas e o estímulo ao empreendedorismo ajudaram a sustentar o consumo interno e que o país enfrenta ataques especulativos contra o bolívar. “Sabemos como enfrentar essas perturbações e vamos superá-las”, declarou, ao responsabilizar adversários políticos e pressões externas.

Ao encerrar a entrevista, Maduro disse que enfrenta o atual cenário de tensão com serenidade e apoio popular. “Nosso maior escudo é o povo. Defendemos a paz, a soberania e o direito ao desenvolvimento”, afirmou.

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