O governo da Polónia está a preparar-se para apresentar um novo projeto de lei das criptomoedas esta semana, numa nova tentativa do primeiro-ministro Donald Tusk de regular o mercado de ativos digitais do país, após duas propostas anteriores terem sido bloqueadas pelo presidente Karol Nawrocki.
Tusk afirmou na terça-feira que o mais recente rascunho seguiria em grande parte as versões anteriores, mas incluiria penalidades mais severas para quem utiliza plataformas de criptomoedas para defraudar investidores ou ameaçar a segurança do Estado. O governo afirma que o projeto de lei visa melhorar a supervisão das empresas de cripto e aproximar a Polónia do pleno cumprimento do regulamento dos Mercados de Criptoativos da União Europeia, conhecido como MiCA.

A legislação planeada surge durante uma investigação criminal à Zondacrypto, uma das maiores exchanges de criptomoedas da Polónia. Os procuradores em Katowice abriram um processo em abril envolvendo suspeitas de fraude e lavagem de dinheiro. As perdas reportadas foram estimadas em cerca de 350 milhões de PLN, equivalentes a aproximadamente 82 milhões de EUR, embora os investigadores tenham indicado que o montante poderá aumentar à medida que o caso se desenvolve.
Tusk disse que o governo submeteria o novo rascunho ao parlamento até ao final da semana. Afirmou que o projeto de lei revisto se focaria em punir aqueles que tiram partido de investidores inexperientes e criam riscos para o Estado polaco.
A mais recente proposta deverá criar uma nova disputa entre o governo centrista de Tusk e o presidente Nawrocki, alinhado com o partido de oposição de direita Lei e Justiça. Nawrocki vetou os dois projetos de lei das criptomoedas anteriores, argumentando que criavam regulação excessiva e suscitavam preocupações sobre as liberdades civis.
Os rascunhos anteriores procuravam colocar as plataformas de cripto sob a supervisão da Autoridade de Supervisão Financeira da Polónia, conhecida como KNF. O governo argumentou que uma supervisão mais robusta era necessária para proteger os investidores e alinhar a lei nacional com os padrões da UE.
O gabinete de Nawrocki ainda não indicou se o presidente apoiaria a versão revista. O seu porta-voz, Rafał Leśkiewicz, disse à agência de notícias estatal polaca PAP que o governo deveria apresentar o texto completo antes de a posição do presidente ser avaliada.
A Polónia continua a ser um dos países da UE ainda a trabalhar para introduzir plenamente as regras ligadas ao MiCA. O regulamento da UE foi concebido para estabelecer padrões comuns para os prestadores de serviços de cripto, incluindo regras sobre autorização, proteção do consumidor, transparência e conduta de mercado.
O debate político intensificou-se devido à investigação à Zondacrypto. Os procuradores polacos estão a examinar alegações de que os clientes não conseguiam levantar fundos da exchange e de que a plataforma poderá ter sido utilizada para lavagem de dinheiro.
O diretor executivo da Zondacrypto, Przemysław Kral, negou qualquer irregularidade e afirmou que a empresa se mantém solvente. Rejeitou também as alegações de ligações à inteligência russa, classificando-as como infundadas.
Relatos nos meios de comunicação polacos indicaram que Kral saiu da Polónia em direção a Israel e detém cidadania israelita, o que poderia complicar qualquer processo de extradição. O fundador da exchange, Sylwester Suszek, desapareceu em 2022 em circunstâncias que não foram totalmente esclarecidas.
O meio de comunicação polaco Onet reportou que os procuradores acreditam que o verdadeiro proprietário da Zondacrypto poderá ser um homem conhecido como "Maniek." Outros relatos referiram uma avaliação dos serviços de inteligência internos que liga a plataforma a um grupo do crime organizado russo. Essas alegações continuam a fazer parte do debate público mais amplo em torno da empresa e ainda não foram totalmente testadas em tribunal.
Tusk disse anteriormente ao parlamento que canais de criptomoedas não regulados foram utilizados pelos serviços de segurança bielorrussos para apoiar rotas de migração ilegal para a Polónia. O primeiro-ministro referiu-se à regulação de cripto como uma questão tanto financeira como de segurança nacional.
O governo afirma que o novo projeto de lei das criptomoedas é necessário para estabelecer responsabilidades claras para as empresas que oferecem serviços de cripto na Polónia. De acordo com a abordagem proposta, as plataformas ficariam sujeitas à supervisão direta da KNF e teriam de cumprir padrões vinculados à legislação da UE.
Os defensores do projeto de lei argumentam que a Polónia precisa de ferramentas mais robustas para prevenir fraudes, proteger os investidores de retalho e identificar fluxos financeiros suspeitos. Os opositores alertaram que regras demasiado abrangentes poderiam limitar a inovação e impor encargos pesados a empresas legítimas.
O próximo debate parlamentar deverá centrar-se em até que ponto o Estado deve ir na regulação das plataformas de cripto, especialmente após o caso Zondacrypto ter chamado a atenção pública para os riscos do setor. O governo afirmou que o novo rascunho não alteraria a estrutura central dos projetos de lei anteriores, à exceção de penalidades mais severas para fraude e atividades consideradas perigosas para a segurança nacional.
O caminho do projeto de lei dependerá de o governo conseguir obter apoio suficiente no parlamento e de Nawrocki decidir assinar ou rejeitar a medida. Até à adoção de uma nova lei, o mercado de criptomoedas da Polónia permanecerá sob um quadro transitório, enquanto os padrões ao nível da UE continuam a moldar o setor.
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